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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Como integrar Blockchain com sistemas legados?

Cristina Deluca em 16/01/2019 - CIO

Foto: Shutterstock


O Blockchain oferece às empresas um novo método para transacionar em uma rede distribuída e confiável, mas conectar a tecnologia a bancos de dados existentes, sistemas ERP e uma base de clientes/parceiros não é uma tarefa simples. E em muitos casos, nem é uma tarefa necessária.
Embora poucos Blockchains tenham evoluído para além das provas de conceito e estejam operacionais, a tecnologia de ledger distribuído (DLT) foi uma das mais badaladas de 2018 e segue aquecida em 2019. Não é apenas hype; o mercado de Blockchain deve crescer de US $ 708 milhões em 2017 para US $ 60 bilhões até 2024.
Por causa de todo o hype do mercado, as empresas entraram em uma corrida louca para implementar o DLT, para que não perdessem vantagem competitiva, de acordo com Kevin McMahon, diretor de tecnologias emergentes da consultoria SPR, sediada em Chicago .
Para muitas empresas, no entanto, o DLT não é adequado para tarefas que podem ser facilmente manipuladas com tecnologias tradicionais, como bancos de dados relacionais. Para outros, os desafios associados à implementação do DLT têm menos a ver com a própria tecnologia e mais com a criação de uma rede de usuários que possam concordar com as regras de governança.
"A parte de tecnologia não é tão difícil assim. É novidade, a criptografia é ótima e tem alguns recursos interessantes, mas o desafio real é construir essa rede - encontrar pessoas que queiram participar e queiram compartilhar dados entre si e estejam empenhada em manter a infraestrutura necessária ", disse McMahon. "É sobre garantir que seus processos e fluxos de trabalho sejam capazes de acomodar a gravação de dados adicionais em um Blockchain."

Brigid McDermott, vice-presidente do IBM Food Trust, acredita que o Blockchain como um sistema de gerenciamento de cadeia de suprimento de alimentos atende a duas grandes necessidades de negócios: atestar a proveniência e suprir a necessidade de um padrão único de interoperabilidade.


McDermott comparou o Blockchain com as guerras de formatos de fitas de vídeo Betamax e VCR do final dos anos 70, quando a tecnologia melhor - a Betamax - perdeu porque as fitas de videocassete tinham mais suporte do setor.
"O indústria em torno do videocassete construía conteúdo", disse McDermott. "Blockchain é muito similar. Não importa quão boa seja uma tecnologia se você não tem nada para usar com ela."
A IBM está tentando inicializar seu serviço de Blockchain em nuvem através de provas de conceito como o Food Trust, um sistema de gerenciamento de cadeia de suprimentos de produtos e o  TradeLens, um sistema internacional de rastreamento de carga.
A Maersk vem testando o TradeLens com 94 participantes parceiros e o Walmart está testando a Food Trust, chegando até a dizer a seus fornecedores de produtos para se juntarem à rede até setembro deste ano.
Em um dos pilotos de Blockchain da IBM, o Walmart rastreava a manga desde o pé de onde veio até que filial de loja e estava vendando, registrando a sua passagem por todos os terceiros existentes no meio do processo, incluindo os centros de distribuição e as instalações de armazenamento a frio onde foi mantida.
Grande parte das informações sobre os carregamentos de mangas veio diretamente do sistema ERP do Walmart, disse McDermott, eliminando a necessidade de criar um registro secundário ou recriar as informações de remessa manualmente. O tradicional sistema de rastreamento da cadeia de suprimentos do Walmart levou três semanas para rastrear a origem das mangas. A solução Blockchain da IBM Food Trust fez o mesmo trabalho em  dois segundos, disse McDermott.
O Blockchain, no entanto, não se integra diretamente com os sistemas ERP, planilhas ou bancos de dados. Em vez disso, APIs e padrões de compartilhamento de dados, como o GS1 (mais conhecido pelo protocolo de código de barras legível por máquina), foram usados ​​para permitir a interoperabilidade com sistemas de dados legados.
O IBM Food Trust, por exemplo, evita a entrada manual de dados, aproveitando os investimentos legados por meio do padrão GS1. Ele automatiza a transferência e o entendimento de dados entre diferentes partes no ledger eletrônico.
"Seguimos descobrindo quais conectores otimizarão o uso de um sistema legado - como conectar um sistema ERP existente aos nossos dados de Blockchain", disse McDermott.
Independentemente de como o Blockchain é implementado, a maior parte do custo e legwork para implementá-lo é rateado entre os  parceiros de negócios na rede e envolve a elaboração de acordos comerciais e regras de governança, disse McMahon.
A presença de nós Blockchain (servidores) ou a compra de soluções Blockchain como um serviço da IBM, Oracle, Microsoft ou SAP realmente não é diferente da execução de aplicativos de negócios em nuvem da Amazon Web Services, Microsoft Azure ou Google Cloud.
"É necessário investir em um modelo de governança e gastar algum esforço, tempo e energia construindo um consórcio e resolvendo desafios de negócios - essa sempre foi a surpresa para nossos clientes", disse McMahon.
Além disso, as empresas devem considerar que os possíveis parceiros da rede Blockchain podem ter receio de compartilhar dados e se preocupam com a possibilidade de não exercerem qualquer influência sobre a governança e as regras da rede.
Blockchain é o melhor para empresas que trabalham em uma rede de atores separados, mas interconectados, como aqueles em uma extensa cadeia de fornecimento, disse McMahon.
Para a maioria das empresas que buscam simplificar os problemas internos de TI, produtividade ou operacionais, Blockchain é uma opção cara e demorada que às vezes faz exatamente o que outras soluções tradicionais - e menos caras - já oferecem, acrescentou McMahan.
"O Blockchain permitirá que você integre e compartilhe dados de maneira confiável e resistente a violações, mas o caso de uso que faz muito sentido em um contexto corporativo é na cadeia de suprimentos e na logística,. Ser capaz de rastrear a proveniência, como de onde veio essa cabeça de alface ou qual é a história desse patrimônio como foi negociado", disse McMahon.
"Fizemos algumas PoCs com clientes que têm um bom caso de uso, mas muitas vezes passamos bastante tempo durante a conversa inicial explicando algumas das desvantagens do Blockchain", disse McMahon.
Martha Bennett, analista principal da Forrester Research, concorda que Blockchain é um esporte coletivo.
"É sobre dados que você pode compartilhar e confiar no mais alto grau possível", disse Bennett durante a New Tech & Innovation Conference, da Forrester, em julho passado. Bennett disse que as organizações públicas e privadas devem primeiro determinar quais processos de negócios o DLT pode abordar - e aqueles aos quais ele não pode ser aplicado.
Para determinar se há um caso de uso, as empresas devem primeiro considerar que muitas tecnologias existentes, como bancos de dados relacionais, já possam capacidade para atender à maioria das necessidades de negócios transacionais. E analisar se eles podem ou não atender ao atributo chave do Blockchain: a colaboração.
Bennett ofereceu uma "lista de verificação" para as empresas considerarem ao determinar a implementação de um Blockchain, incluindo:
  • Situações nas quais várias partes precisam dos mesmos dados e da capacidade de gravar no mesmo armazenamento de dados;
  • Todas as partes precisam de uma garantia de que os dados são válidos e não foram adulterados;
  • Um sistema atual é propenso a erros, muito complexo, pouco confiável ou cheio de pontos de atrito;
  • E nas ocasiões em que há boas razões para não ter um único sistema centralizado, como um banco de dados relacional.
A IBM também sugere determinar primeiro se uma empresa será capaz de tirar vantagem dos atributos do Blockchain. E considerar o risco regulatório, a disponibilidade de habilidades e o suporte necessário. Como qualquer aplicativo corporativo, é necessário haver um nível apropriado de suporte.
No ano passado, a IBM publicou o guia de melhores práticas para implementação de Blockchain, The Founder's Handbook, já e sua segunda versão, que enfatiza casos de uso limitados.
"Uma das epifanias que as pessoas têm quando avaliam Blockchain é que você pode dizer que é um banco de dados glorificado e é uma maneira de enxergá-lo, mas é uma tecnologia de integração em si", disse McMahon, referindo-se a capacidade de permitir a colaboração entre parceiros de negócios. "Não é um middleware usado para colar ou juntar os sistemas existentes."

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Itaú inicia uso de blockchain para agilizar operações

Por Computerworld em 05/02/2018




O Itaú Unibanco inicia neste ano o uso de aplicação de blockchain voltada para o controle de margens. Denominada Blockchain Collateral, a iniciativa busca proporcionar mais agilidade, transparência e rastreabilidade no processo de solicitação e aporte de garantias de derivativos de balcão.

Nas chamadas de margem - processos em que o blockchain será testado -, os bancos negociam receber garantias, mitigando riscos de crédito para proteção contra variações desfavoráveis do mercado. O valor a ser aportado é recalculado e confirmado pelas partes periodicamente.

Com blockchain, bancos querem estabelecer um protocolo que trará ganhos de eficiência aos participantes e transparência no processo de auditoria. Com a solução, os participantes da rede podem fazer chamadas de margem entre si de forma padronizada, segura e descentralizada, utilizando a plataforma Corda do consórcio internacional R3. Blockchain: Veja com a SONDA algumas aplicabilidades dessa tecnologia Patrocinado 

O Itaú Unibanco é membro do R3, que, desde abril de 2016, reúne instituições financeiras do mundo todo para o estudo de aplicabilidade da tecnologia blockchain. O desenvolvimento dessa solução foi feito pelo banco e sua coligada Itaú BBA International, tendo sido convidados para participar do projeto no mercado brasileiro os parceiros com os quais o Itaú Unibanco possui contrato de chamada de margem.

Cristiano Cagne, diretor de Operações do Itaú Unibanco, comenta que a empresa está certa de que esta inovação trará ganhos reais de eficiência para o setor como um todo. "Estamos ansiosos para expandir os benefícios que a tecnologia blockchain oferece, este é um início promissor", destaca.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O Blockchain está pronto para adoção no mundo corporativo?

Da Redação, com CIO/EUA

Publicada em 23 de janeiro de 2018





Apesar de todo o hype recente, o Blockchain ainda precisa ser mais amplamente empregado nas empresas. E isso pode mudar de vez em 2018 à medida que a reputação da tecnologia para transações confiáveis continua a crescer entre os líderes do mercado de TI (tecnologia da informação). A tecnologia tem potencial para revolucionar processos em todos os setores da economia, promovendo uma nova geração de aplicações que estabeleçam confiança, responsabilidade e transparência, requisitos indispensáveis às transações no cenário corporativo.
O Blockchain é uma espécie de livro de contabilidade (também chamado de ledger) digital compartilhado para registrar transações. Cada transação entre os participantes em uma rede é guardada em um registro conhecido como um bloco (“block”, em inglês), que é assinado digitalmente para garantir sua autenticidade e criar então um consenso sobre cada etapa da transação.
O que tem animado os CIOs sobre o Blockchain é a sua habilidade de escala em uma empresa, oferecendo um efeito confiança digital.
Por exemplo, todas as partes interessadas em uma cadeia de suprimentos suportada por Blockchain recebem uma cópia do registro existente autenticado. Caso algo impacte essa cadeia, por exemplo, todas as partes podem ficar tranquilas, porque o que o registro digital informar que realmente aconteceu. Usar um ‘ledger’ digital para garantir confiança é algo que as tecnologias rivais do Blockchain não oferecem atualmente, segundo muitos CIOs.
“O Blockchain é uma daquelas tecnologias capaz de se tornar uma vantagem competitiva ao longo do tempo”, afirma o CIO da TD Ameritrade, Vijay Sankaran.
Blockchain para logística
A United Parcel Service (UPS) possui uma equipe dedicada a explorar o impacto do Blockchain sobre a cadeia de suprimentos, afirma a diretora de inovação e arquitetura corporativa da empresa, Linda Weakland. A executiva vê grande potencial no Blockchain para a automatizar grande quantidade de processos manuais que compõem o trabalho de despacho de mercadorias na alfândega. Um sistema assim pode ajudar a companhia a “modernizar todo o processo e liberar as mercadorias de forma muito mais rápida do que fazemos”. O Blockchain também poderia aumentar a precisão de transações e reduzir os custos para ativos físicos, como contêineres de transporte. 

Mas para destravar o potencial do Blockchain, a tecnologia precisa ser adotada em toda a cadeia de suprimentos. Por isso, em novembro de 2017 a UPS passou a fazer parte do consórcio BiTA (Blockchain in Trucking Alliance), que vem desenvolvendo padrões para a indústria de fretes. Weakland afirma que esses padrões poderiam ajudar a UPS e seus parceiros a compartilhar dados usando Blockchain, o que é difícil de fazer atualmente. “Com o BiTA, vamos poder ter mais padrões para tornar o Blockchain mais útil do que é hoje”, diz a executiva. 
A UPS vê o Blockchain como uma parte integral da sua Smart Logistics Network, que também inclui outras tecnologias emergentes como Internet das Coisas (IoT), robótica, Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning. 
O CIO da UPS, Juan Perez, a quem Weakland se reporta, está aplicando essas tecnologias no restante dos negócios da companhia como parte do Advanced Technology Group que ele criou em 2016. “Ele (Perez) nos desafia a estar no limite e realmente olhar para as tecnologias que farão a diferença”, destaca Weakland.
Aposta limitada
O Blockchain apresenta quase tantos desafios quanto oportunidades para as companhias de serviços financeiros como a TD Ameritrade, onde o CIO Sankaran criou uma equipe dedicada para explorar o uso da tecnologia. O executivo acredita que o Blockchain vai diminuir as janelas para a liberação de ativos, automatizando, em minutos ou segundos, o que costuma levar dias.

O processo de transferir arquivos entre uma grande quantidade de parceiros também vai ficar mais claro, reduzindo processos manuais e baseados em papel. O primeiro grande teste da TD Ameritrade é facilitar transferências de dinheiro entre o seu serviço de corretagem e sua afiliada TD Bank quase em tempo real. 
“É um modelo para continuar a trabalhar com outras empresas para movimentar dinheiro e configurar contas de forma muito mais rápida”, destaca Sankaran.
Outros potenciais usos do Blockchain na empresa incluem o compartilhamento de informações entre clientes, proxy voting (política de voto), que costuma exigir uma grande quantidade de papel, e a substituição de cartões de crédito em micropagamentos. Por fim, a chamada liquidação financeira será o uso mais interessante com o passar do tempo, aponta Sankaran, reduzindo o tempo e as taxas de transação que atormentam o mercado há tempos.
A corretora on-line está testando várias tecnologias hyperledger, incluindo Ethereum, R3 Corda e a Quorum, do JP Morgan. “Realmente precisa ser uma plataforma de grau empresarial para gerenciar segurança e privilégios, além de também se sair bem em escala e performance”, segundo o executivo.
Mesmo assim, Sankaran precisa restringir suas apostas contra a incerteza em torno das tecnologias hyperledger, que ainda possuem uma aura de “Velho Oeste” parecida com os dias iniciais de distribuições de tecnologias emergentes como o Linux, destaca. “O problema é escolher uma plataforma subjacente sabendo que você pode precisar jogá-la fora porque ela não fornece o maior valor”, diz Sankaran, que ainda que está observando de perto o que empresas parceiras e concorrentes estão fazendo neste espaço. 
O CIO prevê uma consolidação significativa, com players maiores adquirindo distribuições de Blockchain, forçando mudanças com a maré no mercado. E ele diz que está avançando com consciência total de que “podemos ter de trocar os cavalos em algum ponto”.
“Penso que em 2018 e 2019 o Blockchain vai cruzar o abismo e avançar do uso experimental para ser uma solução popular em serviços financeiros e outros mercados”, afirma Sankaran.
Pronto para disrupção
Apesar de o Blockchain poder revolucionar os serviços financeiros de várias maneiras, as aplicações das tecnologias de ledgers digitais ficam mais estreitas mais adiante. Isso é especialmente verdade na indústria alimentícia, onde a Driscoll’s é conhecida por vender morangos, mirtilos, framboesas e amoras no WalMart, Stop & Shop, Whole Foods e outras redes de supermercados pelo mundo. 

A Driscoll’s, juntamente com mais de uma dúzia de produtores de alimentos, está trabalhando com a IBM para usar o Blockchain para ajudar a provar a origem de alimentos estragados, o que, segundo o CIO da Driscoll’s, Tom Cullen, poderia eliminar problemas de compliance. 
Como o Blockchain pode registrar todos os pontos de dados em uma cadeia de suprimento, a tecnologia fornece um paraíso virtual para cientistas forenses sobre os produtos que estão sendo rastreados. “Estamos interessados na origem das frutas e em qualquer certificação uma vez que elas comecem na supply chain”, aponta Cullen.
Atualmente, a  Driscoll’s utiliza sensores de GPS habilitados por Bluetooth para monitorar a temperatura das frutas em coolers de transporte. Então, por exemplo, se um motorista de caminhão no México “cozinhar” as frutas sem saber porque a temperatura no caminhão ficou muito alta, a empresa vai saber disso. Mas isso não ajudará a Driscoll’s a rastrear um lote específico de colheitas caso aconteça um surto de doenças causadas pelos alimentos. A menos que ela esteja usando  Blockchain. Ao registrar os códigos de barra de caixas e contêineres de transporte, o Blockchain pode ser usado para rastrear as frutas até uma safra específica, aponta Cullen, permitindo que a Driscoll’s aponte a origem exata dessas frutas.
“(O Blockchain) é imutável e não pode ser alterado, então à medida que você rastreia a cadeia de suprimentos pode confiar nos dados”, explica o executivo. Ele destaca ainda que o Blockchain, o Machine Learning e os dados analíticos avançados para ajudar a melhorar a marcação genética, são as principais das iniciativas digitais da Driscoll’s para 2018. 
Blockchain
Agronegócios
No Brasil, a Belagrícola, uma das maiores companhias de gãos do Brasil, adorou a plataforma de Blockchain da IBM para fazer a rastreabilidade de grãos, desde o recebimento, análises laboratoriais, secagem, armazenamento, logística e distribuição, para garantir a confiabilidade da cadeia. O projeto conta com o Agritech Blockchain e com o software de rastreabilidade da parceira de negócios, a SBR. A ideia é que todo o ciclo de produção seja mapeado e categorizado em blocos que poderão facilmente ser controlados e acessados pela Belagrícola e também pelos seus clientes e parceiros no processo.

Choque de realidade
Em um relatório publicado em novembro de 2017, o Gartner notou que, apesar  do grande interesse pelo Blockchain, a tecnologia ainda permanece em evolução, considerando os modelos de negócio, os processos e os resultados. Para conseguir acelerar o software, a consultoria encoraja os CIOs a testarem a tecnologia em projetos piloto.

Em junho de 2017,  um estudo da Juniper Research revelou que quase 6 em cada 10 (57%) grandes corporações estavam considerando ativamente ou estão no processo de implantação da tecnologia Blockchain. Quase 400 fundadores, executivos, gerentes e TI da empresa responderam ao Blockchain Enterprise Survey. Entre as empresas que já haviam chegado ao estágio PoC (Prova de Conceito), dois terços (66%) esperavam que a tecnologia fosse integrada em seus sistemas até o fim de 2018.
Usando os dados da pesquisa, o relatório identificou empresas que, por exemplo, estão usando Blockchain para registro de terras e como moeda fiduciária digital, mas em cada uma dessas oportunidades, a escala e a variedade de barreiras eram significativas.
A pesquisa afirmou que entre as empresas que mais se beneficiam estão aquelas com:
  • 1 - Necessidade de transparência e clareza nas ações;
  • 2 - Dependência atual dos sistemas de armazenamento legado em papel;
  • 3 - Um alto volume de informações transmitidas.
No entanto, a Juniper argumentou que, embora a percepção de Blockchain e seus benefícios houvesse aumentado drasticamente nos últimos 12-18 meses, havia o perigo de que as empresas pudessem buscar a implantação de Blockchain sem ter considerado as opções alternativas. De acordo com o autor da pesquisa, Dr. Windsor Holden,  "em muitos casos, a mudança sistêmica, em vez de tecnológica, pode ser uma solução melhor e mais barata do que a cadeia de bloqueios, o que poderia potencialmente causar perturbações internas e externas significativas".
Na verdade, a pesquisa descobriu que as empresas podem estar subestimado a escala do desafio Blockchain. Para questões como a interoperabilidade, a proporção de entrevistados que expressaram preocupações aumentou progressivamente à medida que as empresas avançam para a implantação total.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Blockchain é muito mais que uma tecnologia exponencial

Por Cezar Taurion em 15/01/2018 no site CIO

Blockchain

Comecei a prestar atenção em Blockchain ao ler artigo de abril de 2014, “Satoshi´s Revolution: How The Creator Of Bitcoin May Have Stumbled Onto Something Much, Much Bigger”. Até aquele momento havia ouvido falar, lido alguma coisa, mas não me havia caído a ficha. Com o insight, as coisas ficaram mais claras. Sim, uma nova tecnologia sinalizava um tsunami em alto mar e seu efeito poderia ser avassalador.
Em 2016, após várias leituras, inclusive a do livro de Don e Alex Tapscott, “ Blockchain Revolution: How the Technology Behind Bitcoin is Changing Money, Business, and the World”, vi que, no fundo,  havíamos captado apenas a ponta do iceberg. Assim como no início dos anos 90, ninguém imaginava a Web de hoje, e os negócios fabulosos e inovadores que dela saíram, como Google, Facebook, Amazon, Netflix, YouTube, Instagram, Uber, Airbnb e outros. O Blockchain está atualmente como estava a Internet no início dos anos 90.
Blockchain não vai provocar rupturas imediatas, mas manter o pensamento nas suas perspectivas futuras é fundamental. Se quisermos efetivamente criar novas fontes de valor, temos de entender para onde todas estas mudanças estão nos conduzindo. Já existem diversos casos de experimentações e iniciativas concretas, como o  recente projeto da Kodak, tentando renascer das cinzas, com a plataforma  KodakOne e a sua KodakCoin. O essencial é separar o hype da realidade.
Como todo software, ainda existem muitos pontos falhos a serem corrigidos. As aplicações de Blockchain no mundo real têm apenas alguns anos, e as suas duas plataformas mais disseminadas, Hyperledger e Ethereum, aliás, como todas as demais alternativas, não possuem maturidade, o que pode apresentar problemas imprevistos no próprio software, com potencial bugs ou mesmo erros de implementação. Mas, aos poucos, vemos aplicações Blockchain se espalhando. Se falarmos especificamente no tipo de aplicação mais comum de Blockchain, as criptomoedas, listamos mais de 1400. Curioso? Leia o artigo “There Are Over 1,000 Alternatives to Bitcoin You’ve Never Heard Of”.
Hoje, ainda temos pouca experiência coletiva e nenhuma best practicessobre Blockchain que possam nos ajudar a trilhar o caminho. Mas sabemos que mudanças exponenciais acontecem muito mais rápido do que pensamos.  Um exemplo de como uma mudança exponencial é subestimada é o Human Genome Project. Foi lançado em 1990, com estimativa de ser concluído em 15 anos a um custo de US$ 6 bilhões. Em 1997, portanto na metade do prazo, apenas 1% do genoma humano tinha sido sequenciado. Pelo planejamento linear que nós adotamos, considerando o ritmo de 1% em 7 anos, levaríamos 700 anos para concluir o sequenciamento. É um pensamento lógico não? A pressão para encerrar o projeto foi imensa, mas quando levaram o desafio ao futurista Ray Kurzweil, ele disse “1% significa metade do caminho. Ele pensou exponencialmente. 1% dobrando a cada ano significa chegar aos 100% em 7 anos. O projeto foi concluído em 2001, quatro anos antes do planejado e custando muito menos que o estimado. O pensamento linear, tradicional, errou o alvo por 696 anos! Assim devemos encarar o Blockchain. Reconhecer sua imaturidade, mas entender que por ser uma tecnologia exponencial, sua evolução poderá e deverá ser muito rápida.
Claro que existe muito ceticismo e alguns chegam a apontar o fato da inexistência de uma “killer application” para comprovar a viabilidade da tecnologia como um problema. Mas, pensemos juntos. O paper de Satohi é de 2008 e apenas em torno de 2012 é que se começou a notar o potencial do Blockchain e que não se trata apenas do Bitcoin. Na verdade, talvez não seja correto falar em uma tecnologia Blockchain, pois temos inúmeras tecnologias diferentes. Blockchains seria mais correto!
Com Blockchains pode-se reinventar os sistemas financeiros para serem mais seguros, melhores e mais eficientes. Mas, mudar uma indústria de centenas de trilhões de dólares não é algo que acontece de um dia para o outro. Muitas mudanças vão ocorrer no sistema financeiro, e, claro, o sistema atual não vai aceitar mudanças sem luta! Pense que Blockchains não são apenas um novo paradigma tecnológico, que, por si, leva alguns anos para ser adotado. Blockchain é uma mudança fundamental na forma como pensamos sociedades, confiança e redes. É muito mais amplo que discussões sobre tecnologias.
Quando os carros foram inventados, eles não substituíram imediatamente todos os cavalos e trens, e remodelaram de imediato as cidades como as conhecemos hoje. Demorou décadas para encontrarmos maneiras de fabricá-los em larga escala e a preços aceitáveis, enquanto estávamos implantando, em paralelo, as tecnologias para extrair petróleo em grandes quantidades, criar postos de gasolina e abrir estradas. Foi um conjunto de inovações convergentes. Os computadores tomaram o mesmo caminho quando o primeiro transistor foi inventado. Os primeiros computadores eram de uso muito restrito, e limitado a poucas dezenas de especialistas. Para usar computadores você tinha que estar no trabalho.  Não existiam terminais nas casas, só nos escritórios. Décadas depois todos nós temos um computador mais poderoso que um supercomputador dos anos 60 em nossos bolsos. No início dos anos 50 alguém imaginaria essa possibilidade?
Uma crítica comum é que hoje a mais importante implementação de Blockchain, a Bitcoin, é lenta, cara e consome muita energia e poder computacional. Mas lembremos dos primeiros dias da Internet, quando usávamos modem de acesso discado e tínhamos que esperar vários minutos para obter uma conexão de 24 Kbps. Hoje vemos tranquilamente vídeos e filmes em nossos smartphones.
Mas, indo além de criptomoedas e aplicações de Blockchain que substituam cartórios, registros de documentos, diamantes e obras de arte, que tal exploramos algo ainda embrionário, mas que pode provocar uma grande mudança nas organizações?
Falemos de DAO ou Decentralized Autonomous Organization. Uma DAO é uma combinação de código de computador, uma cadeia de blocos, contratos inteligentes e pessoas. Os fundadores de um DAO criam as regras básicas de governança de como funcionará a empresa e as pessoas se agregam a elas. Na verdade, não há hierarquia. É claro que, a qualquer momento que você reúne pessoas em um grupo, é inevitável o surgimento de políticas, mas não será a estrutura de "comando e controle" que a maioria de nós está acostumada a ver nas empresas.
As estruturas hierárquicas funcionaram muito bem em um período de mudanças mais lentas. Por outro lado, criaram fragilidades como ascendência profissional significar mais poder, controles rígidos e pouca flexibilidade para mudanças. Tendem naturalmente serem reativas à mudanças, pois qualquer mudança afeta a estrutura de poder tão arduamente conquistado. O modelo hierárquico foi criado para ser estático. As pessoas trabalham dentro de um contexto “que as coisas foram feitas assim e deverão continuar sendo assim”. É uma estrutura de comando e controle, onde o comando está nos níveis gerenciais e a execução nos níveis mais baixos, que apenas cumprem tarefas, sem maiores autonomias.  Os níveis intermediários, de gerência, funcionam como “buffers”, recebendo ordens e enviando-as para baixo, filtrando os problemas que surgem embaixo, repassando apenas alguns para a alta administração. As regras são claras e desvios punidos. Inovação não é algo incentivado, a não ser em teoria ou em posters nas paredes. As estruturas criam silos, muitas vezes com objetivos conflitantes entre si, criando um cenário de “nós contra eles”, como gerência versus staff, marketing versus finanças, TI contra todos!
A concentração de poder no topo da pirâmide organizacional cria um ambiente de separação, entre os que têm poder (os que estão no topo) e os sem poder, que estão nas camadas inferiores da pirâmide. Como poder é um recurso escasso, ele é disputado ferrenhamente, muitas vezes levando a climas de tensão negativas. A luta pelo poder exacerba algumas naturezas humanas como ambição, politicagem e desconfiança, que criam ressentimentos e frustrações. É um contexto que cria paradoxos entre valores escritos e praticados. Por exemplo, uma empresa fortemente hierárquica coloca como valor “confiança e responsabilidade”, mas a estrutura faz com que apenas as pessoas nas camadas superiores saibam o que está acontecendo e o que será feito em caso de crise. Por exemplo, uma onda de demissões é decida pela casta superior enquanto, em baixo, a imensa maioria dos funcionários aguarda em suspense o que virá...Onde está a confiança e responsabilidade? Porque estes problemas não podem ser discutidos abertamente e novas ideias serem propostas por todos que serão afetados por elas?
Por que não olhar uma organização como um ser vivo, em constante evolução e adaptação, aprendendo e agindo de forma diferente a cada novo aprendizado? Um ser vivo tem suas células funcionando de forma independente, sem controle central. O fígado reage por sua conta, sem esperar ordens. Pensar em uma empresa auto gerenciável é uma quebra de paradigmas, mas não creio que exista outra alternativa para sobreviver em um mundo que muda a cada instante. Isto significa criar equipes auto gerenciáveis, que tomam suas próprias decisões. Não existe a figura do chefe, mas todos tem mesma importância no processo de decisão.
Essa é a proposta das DAO. Uma DAO tem partes interessadas, as pessoas que se agregam à elas, que possuem tokens que representam uma participação no desempenho da DAO. Essencialmente, o que essas partes interessadas querem é um aumento no valor de seus tokens, ou seja, gerar mais valor para a empresa. Sem entrar nos aspectos legais, uma DAO tem "acionistas" e não funcionários.
Em vez de um conselho de diretores e executivos seniores, os titulares de tokens (acionistas) de uma DAO têm o direito de votar "sim" ou "não" em qualquer proposta que demande decisão da organização.
Em uma DAO, em vez de ser contratado como empregado, a pessoa recebe um contrato em uma base de projeto. Após discussão entre os membros da comunidade, a proposta é votada e, quando aprovada, o trabalho começa. Cada membro de uma DAO pode enviar propostas de projetos. Depois de enviar a proposta ao DAO e os membros da comunidade votarem na pessoa que propôs para executá-la, ela passa a ser o responsável pela entrega, na data e no orçamento.
OK, digamos que você perca seus prazos, de forma sistemática. Ou, ainda, que você se comporte como um completo idiota para os outros membros da comunidade.
Em um ambiente normal de "comando e controle", a política da empresa assume o controle e seu gerente pode te despedir. Você pode eventualmente falar com a área de recursos humanos para reverter a situação. Mas, depois de muitos ressentimentos e mágoas, você acaba indo embora, deixando um clima azedo no ar.
Em um DAO, se você não honrar seus prazos ou tratar as pessoas de forma inadequada, você sabe o que acontece? Os detentores de token DAO que votaram seu contrato simplesmente retiram seus votos. Seu contrato acaba e você está excluído da DAO.
Existe outro benefício potencialmente enorme com esse modelo. Como uma DAO é organizada em torno de contratos inteligentes, e não em torno de pessoas e papéis, a flexibilidade e agilidade para inovar é enormemente aumentada.
As empresas muitas vezes falam sobre a inovação. Mas, em uma organização hierárquica, a inovação enfrenta muitas barreiras e é realmente difícil de fazer. Ideias inovadoras são difíceis de gerenciar e difíceis de executar. Em uma organização plana, a comunidade pode se reunir e "financiar" as melhores ideias, vindas de qualquer lugar.
Em um mundo DAO, você não tem chefe. Mas o que é melhor é que os desempenhos ruins e aquelas pessoas que são um arrasto na organização, são removidos de forma muito mais rápida e eficiente. Alguém não está fazendo o trabalho ou não está tratando os outros com respeito? Remova o suporte do contrato.
O que o DAO oferece é o potencial não apenas de uma melhor produtividade, mas também uma melhor experiência de trabalho para todos.
Assim como os primeiros sites não nos dersm uma visão do que se tornaria da Internet atual, as primeiras DAOs são primitivas. Existem muitas dúvidas e questionamentos. Mas isso não significa que elas não sejam as sementes de mudanças significativas no mundo das organizações. Algumas iniciativas pioneiras estão em andamento. Devemos acompanhar sua evolução. Sugiro ler “The Book of Fermat” e o texto “Fermat Distributed Governance Model”, para uma ideias das concepções básicas de uma DAO. Aqui e ali já pipocam diversos artigos e alguns deles discutem as questões de regulação, como “The​ ​Decentralized​ ​Autonomous​ ​Organization and​ ​Governance​ ​Issues”.
Sim, tudo é muito novo, mas também muito instigante. Se você está pensando em criar uma startup voltada para o desenvolvimento de software ou marketing, com base na “gig economy”, que tal pensar no modelo DAO?

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

5 tendências para a tecnologia blockchain em 2018

Por Amanda Bastiani em 04/01/2018 no site Criptomoedasfacil



Um interessante artigo escrito por Minda Zetlin para o The Enterprisers Project, site de notícias sobre o futuro dos negócios e da tecnologia, comenta sobre o aumento da popularidade da blockchain, como as empresas têm se comportado frente à novidade e o que devemos esperar para a tecnologia em 2018, a partir de uma entrevista realizada com Paul Brody, líder de inovação e blockchain na Ernst Young, empresa multinacional de auditoria e consultoria.
A blockchain tem chamado a atenção por diversos motivos, entre eles a oportunidade percebida em torno das criptomoedas, além da crescente cultura de projetos de financiamento coletivo através das ofertas iniciais de moeda (ICOs, na sigla em inglês). Hoje em dia, um número crescente de empresas está testando o poder da blockchain para ajudar a facilitar transações e rastrear os ativos através da tecnologia de contabilidade distribuída.
Confira as 5 tendências que Paul Brody enxerga para a tecnologia em 2018:

1. Blockchain deixará de ser piloto e passará a ser produção

“Blockchains estão aparecendo em projetos piloto em todos os lugares”, diz ele. “À medida que esses pilotos e provas-de-conceito amadurecem, enquanto muitos serão abandonados, outros avançarão em direção aos sistemas de produção”. Esse processo será necessário para ajudar os líderes da tecnologia empresarial a determinar quais blockchains possuem de fato valor agregado e quais são apenas modinha, completou Brody.

2. O uso de provas de conhecimento nulo crescerá

Todos concordam que um poderoso caso de uso da blockchain será como plataforma para transações entre empresas. Mas qual formato essa plataforma terá? Alguns especialistas prevêem que as grandes empresas criem suas próprias blockchains privadas, nas quais fornecedores e outros parceiros comerciais se juntarão. Brody acha que tudo está errado. “Fornecedores e clientes não podem e não se juntarão à blockchain privada de cada um de seus parceiros de negócios”, diz Brody. “O futuro a longo prazo da blockchain depende da capacidade das empresas de realizar negócios privados em uma infra-estrutura pública e compartilhada”.
É aí que entram as provas de conhecimento nulo. Brody descreve certas provas de conhecimento nulo como uma operação matemática e uma ferramenta criptográfica que permite que uma parte prove para a outra que algo é verificado, sem que a segunda parte precise de informações adicionais (como uma chave privada). “As provas de conhecimento nulo estão apenas começando a mostrar modelos de trabalho em 2018”, diz Brody. “Eles permitirão que as blockchains tenham elementos-chave de segurança e privacidade sem renunciar à redundância e à imutabilidade que vem da sincronização das informações de transações completas em toda a rede”.

3. As redes blockchain aprenderão como cumprir regras

“Os contratos inteligentes são ferramentas poderosas para automatizar operações e processos nos negócios, e eles se tornarão facilitadores de produtividade para empresas que buscam aproveitar a tecnologia blockchain”, diz Brody. Mas há um problema: o que acontece quando as partes de um contrato entram em uma disputa?
Esses assuntos geralmente são resolvidos pelos tribunais, mas eles não têm autoridade sobre as redes de blockchain, que são descentralizadas, não têm um único árbitro ou executor e, geralmente, cruzam as fronteiras geográficas. Votar em toda a rede pode ser uma maneira de resolver as disputas, mas pode levar a problemas se uma das partes tiver uma melhor reivindicação legal, mas a outra parte é mais popular.
Os participantes em redes de blockchain geralmente concordam antes de juntar-se para serem vinculados por certas regras, mas nem sempre é claro como implementar e aplicar essas regras quando há disputas, diz Brody. “Este será um novo desafio que deve ser abordado em 2018.”

4. A blockchain se tornará sua própria ferramenta de rastreamento de ativos

“Ainda há muitos sistemas de blockchains que parecem tratar esta incrível tecnologia inovadora como um tipo de serviço digital notável ou de distribuição de dados”, afirma Brody, acrescentando que as pessoas que vêem a blockchain apenas nesses termos estão se esquecendo de algo importante: a tokenização, ou seja, moedas digitais que representam ativos específicos. Esse é o caso de uso que aumenta o diferencial da tecnologia.
Você pode usar um token para representar um item à medida que ele se move através da rede e, assim, garantir que ele nunca esteja em dois locais ao mesmo tempo, explica Brody. De forma semelhante, você pode usar tokens para representar ativos líquidos em moedas tradicionais. Ele diz que esta abordagem “oferece todos os benefícios das soluções baseadas em blockchains sem risco de câmbio”.

5. Haverá uma queda em algum momento nos próximos anos

“Com as tecnologias emergentes uma onda de campanha publicitária tende a impulsionar o investimentos e emoções, mas algo acabará com essa bolha em fase inicial”, diz Brody. E talvez isso seja bom. “Devemos enxergar um reestabelecimento como um sinal de maturidade do mercado e espero que venha logo e não depois”, diz ele. “Não irá diminuir a transformação a longo prazo das indústrias com base em criptomoedas e blockchains. E eliminará algumas das idéias mais pesadas que estão sugando talentos neste negócio”.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

8 funções de ouro do Blockchain

 

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A tecnologia Blockchain por ser código aberto (open source) promete fazer na próxima década uma das grandes agitações e desarticulações financeiras, mas também de imensa oportunidade para aqueles que a aproveitarem. A indústria de serviços financeiros globais  hoje está repleta de problemas: ela é antiquada, construida sobre a tecnologia de décadas atrás, estando em desacordo com o rápido avanço do nosso mundo digital, sendo muitas vezes lenta e pouco confiável. E é monopolista, reforçando o status quo e sufocando a inovação.
Há oito razões principais pelas quais a tecnologia blockchain irá trazer profundas mudanças para essa indústria, acabando com o monopólio financeiro, e oferecendo aos indivíduos e instituições semelhantes escolhas reais para criar e gerenciar valor.
As oitos funções de ouro que mudará o setor de serviços financeiros:
Autenticação de identidade e valor: Identidades verificáveis e sólidas, criptograficamente garantidas.
Movimentando valor: Transferência de valor em incrementos muito grandes e muito pequeno sem intermediário irá reduzir drasticamente o custo e a velocidade dos pagamentos.
Armazenando valor: Mecanismos de pagamentos combinados com a guarda segura e confiável de valor reduz a necessidade de serviços financeiros típicos, por exemplo poupança bancária e contas-correntes podendo ficar obsoletas em um futuro próximo.
Emprestando valor: A dívida pode ser emitida, trocada e regularizada no Blockchain; aumentando a eficiência, reduzindo o atrito e melhorando o risco sistêmico. Os consumidores podem utilizar sua reputação para acessar empréstimos para seus pares, o que é significativo para as pessoas sem conta bancária e para os empreendedores.
Trocando valor: O blockchain leva o tempo de liquidação de todas as transações de dias e semanas para minutos e segundos. Essa velocidade e eficiência também criam oportunidades para que as pessoas sem conta e acesso bancário participem da criação de riqueza.
Financiamento e investimento: Novos modelos de financiamento ponto a ponto (P2P), registros de ações corporativas como dividendos pagos automaticamente por meio de contratos inteligentes (smarts contracts). Registro de títulos para automatizar reivindicações de renda e outras formas de rendimento.
Garantindo valor e gerenciando risco: Usando sistemas de reputação, seguradoras irão estimar melhor o risco atuarial, criando mercados descentralizados para seguros com derivativos mais transparentes.
Contabilidade: O livro-razão distribuído fará auditoria e relatórios financeiros em tempo real, responsivos e transparentes, melhorando drasticamente a capacidade das reguladoras ficalizar as ações financeiras dentro de uma corporação.
O blockchain é a maior evidência do mundo movendo-se de sistemas fechados para sistemas abertos e isso tem enorme impacto potencial sobre o futuro não apenas de serviços financeiros, mas para muitas indústrias.
In Blockchain We Trust !