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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Qualcomm realiza primeiro teste 5G do mundo em um smartphone

Carla Matsu - de Hong Kong (China)*
17 de Outubro de 2017


A Qualcomm anunciou nesta terça-feira, 17, que realizou, com sucesso, o primeiro teste do mundo de conexão 5G em um dispositivo móvel. O teste se deu nos laboratórios da fabricante em San Diego, na Califórnia, e foi feito durante o 4G/5G Summit, que acontece em Hong Kong nesta semana. 

O teste se dá um ano após a fabricante ter anunciado o seu chipset Snapdragon X50 5G NR. Segundo a companhia, o X50 alcançou velocidades de até 1 gigabit por segundo, muito superior a velocidade quando comparada às redes sem fio 4G LTE que são usadas pelos smartphones de hoje.

Cristiano Amon, vice-presidente executivo da Qualcomm Technologies, também apresentou o design de referência para os smartphones 5G que serão usados para testes com fabricantes de aparelhos nos próximos dois anos. O aparelho exibido pelo executivo trazia um design semelhante aos smartphones mais recentes, com tela infinita.

"Esse marco histórico e nossa referência de design para um smartphone 5G mostra como a Qualcomm Technologies está conduzindo os dispositivos móveis 5G NR para melhorar a experiência da banda larga móvel para consumidores ao redor do mundo", pontuou Amon.

A fabricante de chips prometeu que o lançamento comercial de smartphones 5G deve começar a chegar ao mercado na primeira metade de 2019. Trata-se de um prazo relativamente agressivo tendo em vista que a indústria da tecnologia sem fio concorda, em parte, com o prazo de 2020 para disponibilizar a tecnologia ao mercado. Você com o poder da IBM: Descubra como a plataforma correta e as pessoas certas podem ajudá-lo a fazer o trabalho da sua vida Patrocinado 
A expectativa é que a próxima geração de tecnologia celular com conexão ultrarrápida irá abrir as portas para níveis sem precedentes de velocidade e resposta. Com ela, a indústria espera alimentar um novo espectro de produtos e serviços que incluem avançados carros autônomos, robôs domésticos, serviços inerentes à Internet das Coisas e serviços de missões críticas. A expectativa é que a nova velocidade de conexão eleve o mercado para a cifra de 12 trilhões de dispositivos conectados até o ano de 2035.


"Nós estamos saindo dessa época entre os 'Gs' e entrando nessa nova era do 5G. Temos muito trabalho adiante, mas é uma das oportunidades mais excitantes que já tivemos na indústria mobile", diz Cristiano Amon.

Para ele, a economia digital começa com os computadores pessoais, mas chega de fato ao seu age com o smartphone. "São 7,5 bilhões de conexões na indústria de hoje. É a maior plataforma feita pela humanidade, e não há dúvida de que mudou tudo. E quando pensamos em 5G, é isso que levará para o próximo nível", assinala. 

"O 5G será uma das transições mais significativas que nós teremos na nossa indústria. Será como a eletricidade, em alguns anos nós não teremos mais uma discussão sobre os casos de uso, nós iremos apenas assumir que está lá, porque tudo estará de fato conectado a nuvem e é um tempo realmente animador para a indústria", prevê o executivo. 

*A jornalista viajou a Hong Kong a convite da Qualcomm Incorporated.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Startup brasileira usa inteligência artificial para contratar profissionais de TI

Por Carla Matsu
Em 06/09/2017 no site IDGNow.

Lachlan de Crespigny e Lucas Mendes lançaram a Contratado.me em 2014
Procurar por um novo emprego pode exigir certa dose de resiliência. Convenhamos, encontrar uma vaga que atinja suas expectativas é - quase sempre - um convite à frustração. E não só isso, pense em todas as entrevistas de emprego, com seus tantos testes, dinâmicas em grupo e todo e qualquer tipo de avaliação que pode muito bem levá-lo a questionar as decisões que você tomou desde aquele teste vocacional, feito precocemente na escola. É o tipo de coisa que demanda bom-humor e flexibilidade.  
Pois, uma startup brasileira se debruçou sobre esse cenário e se questionou se o uso de tecnologia poderia tornar o processo todo mais eficiente, pelo menos no que diz respeito a contratação de talentos nas áreas de tecnologia e de negócios. A resposta resultou na criação da Contratado.me, lançada há três anos no Brasil.
Com base em São Paulo, capital, a startup tem como sócios fundadores o brasileiro Lucas Mendes, 33, e o australiano Lachlan de Crespigny, 32. Em resumo, a companhia desenvolveu uma plataforma que usa big data e machine learning para otimizar o recrutamento de profissionais. Só que ao invés de colocar a vaga no centro do processo, a Contratado inverte a lógica e faz do candidato a razão para quais as empresas a buscam, em primeiro lugar. 
“Queremos transformar a forma como empresas e talentos de alto potencial se conectam. Hoje em dia isso acontece mais por indicação e consultorias operam de forma muito offline. Os sites de vagas são uma espécie de classificados de jornal, só que online. Acho que conseguimos transformar esse modo de conexão”, aposta Lucas Mendes, em entrevista ao IDG Now!.
A inteligência artificial te encontrará um emprego
A Contratado diz ter como objetivo oferecer os melhores profissionais para as melhores empresas. E para isso, a empresa encontrou na inteligência artificial a sua melhor garantia.
“Não gostamos da ideia de que tem uma pessoa que diga qual currículo é bom ou não. Preferimos usar os dados das empresas dentro do nosso marketplace para atribuir uma pontuação dentro do currículo”, diz Mendes.
Segundo o empreendedor, a plataforma aprova apenas cerca de 5% de todos os candidatos. Os currículos, que chegam por meio de cadastro (profissionais podem fazê-lo de forma gratuita), são analisados por um algoritmo, que fará a primeira triagem. Mendes explica que se houver um número maior de empresas com demanda por candidatos com certas habilidades, experiências e universidades, essa combinação ganhará um ponto na avaliação dos currículos. E são essas pontuações que alimentam o algoritmo da Contratado. 
Depois, aqueles selecionados pelo algoritmo passam para uma segunda etapa, que consiste na realização de testes técnicos adaptados de acordo com as habilidades e experiências de cada um. Um candidato que seja um desenvolvedor front end, por exemplo, realizará testes para medir o seu conhecimento em HTML e javascript. 
Para Mendes, essa curadoria garante profissionais melhor habilitados para um universo que se prepara para a transformação digital. Ao se focar em talentos com especialidades como programação, design, marketing digital e negócios, a Contratado também garante um nicho que, até então, tem passado ao largo da crise.
“Quando conversamos com as primeiras 50 empresas, vimos que muitas delas falavam sobre como era difícil contratar talentos em TI”, diz o cofundador.  “Outra razão é que o candidato de TI é muito mais difícil de ser avaliado pelo RH, ele precisa de uma validação mais técnica”, completa.  
Segundo a startup, até então mais de cem mil profissionais já foram avaliados e cinco mil recrutadores já se cadastraram. Por meio da plataforma, foram feitas mais de dez mil ofertas de emprego. 
Em contrapartida, atrair os melhores candidatos exige também atrair as melhores empresas, um balanço que leva em consideração o crescimento e histórico da companhia, valores e até mesmo o quanto as empresas empregam de tecnologia. Entre as contratantes há nomes como Natura, Monsanto, Via Varejo e 99.
Para os candidatos, a Contratado garante o cadastro gratuito da plataforma, já as empresas contratantes precisam pagar por um plano de assinatura.
A startup recebeu investimento anjo de outros empreendedores brasileiros, mas não informa os valores já levantados. Para 2017, Mendes diz que a meta é concluir uma nova rodada de investimento e dobrar a startup de tamanho. “Estamos no caminho para isso”, diz o empresário.
Em um horizonte onde a inteligência artificial e a automação parecem ameaçar todas as profissões, Mendes diz que a Contratado não visa jogar sombra ao setor de recursos humanos. “De forma alguma a gente acha que isso substitui o recrutamento humano", diz. "A gente oferece ferramentas para facilitar o processo de contratação das empresas. Mas não fazemos entrevistas, a parte comportamental. Seria arrogante achar que conseguimos dar essa resposta cultural para todas as empresas”, completa.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

SAP avança em cloud para impulsionar pequenas e médias empresas

Por Carla Matsu*
28 de Agosto de 2017 no site Computerworld

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Portal ERP

Os mercados na América Latina se tornaram uma espécie de reservatório ainda pouco explorado no que tange a chamada transformação digital, principalmente no que diz respeito às pequenas e médias empresas (PMEs). Claro, estamos falando de um assunto cuja urgência ganhou seu maior combustível nos últimos anos. CEOs, CIOs, CTOs, CMOs e as tantas siglas do mundo corporativo são unânimes ao evangelizar sobre a importância da digitalização e integração de toda a cadeia de operações de uma empresa. O discurso é imperativo ao defender que é preciso abraçar a transformação digital, caso contrário não será possível sobreviver a esse admirável mundo novo onde os ciclos de inovações estão cada vez mais curtos e os clientes mais idiossincráticos e conectados do que nunca.

Pablo Signorelli endossa a narrativa da transformação digital. Ele é líder de Global Channel e General Business para SAP América Latina e Caribe, unidade que atende as PMEs. É ele quem abre mais uma edição do SAP Executive Partner Summit, que acontece na calorosa e úmida Riviera Maya, México. Signorelli fala para um público já convencido de que a disrupção digital precisa estar na pauta das organizações. Afinal, o evento é dedicado aos chamados parceiros de negócio, representantes de outras companhias de tecnologia autorizadas a vender e implementar soluções da multinacional. O modelo é uma forma de capilarizar o alcance da companhia fundada em 1972, em Weinheim, na Alemanha, e um ecossistema que parece sobressair, em especial, na América Latina.

Segundo a SAP, a participação das vendas de seus parceiros de negócios no segmento de General Business (empresas que faturam anualmente até 500 mil dólares) cresceu dois dígitos no primeiro semestre de 2017 em relação ao mesmo período de 2016. Além disso, a região tem se consolidado como uma daquelas com maior percentual de vendas indiretas na comparação com as vendas totais em todo o mundo.

O crescimento é uma resposta de uma mudança de estratégia da SAP feita há cerca de dez anos, quando a companhia deixou de focar exclusivamente nas chamadas enterprises, para trabalhar também com médias e pequenas. De acordo com a companhia, o General Business cresceu 29% no primeiro semestre contra os 22% do período anterior.

“O mercado, como um todo, se dá em uma pirâmide. Há muito mais empresas no segmento de General Business [quando comparada ao número de corporações]", justifica Signorelli. Além disso, diz ele, há uma ressalva tecnológica em relação ao setor. "Muitas dessas empresas familiares, que se administram ainda no papel, estão dando o passo à mudança da transformação digital, para se fazer competitivas, para chegar a outros mercados. E esse mercado cresce mais rápido que o das grandes corporações, onde a tecnologia sempre foi parte do negócio", compara o executivo.

O ano de cloud

Quando se fala de transformação digital, o assunto pode parecer um tanto vago à primeira vista. Não implica apenas na oferta de produtos digitais para um cliente, ou seja, não foca apenas na experiência do usuário final - apesar desta ser, também, fundamental.

Levantamento da CBInsights deste ano apontou 24 indústrias que ficarão "de cabeça para baixo" quando o iminente setor de carros autônomos se tornar uma realidade nas pavimentadas ruas das cidades. Da mesma forma que as tecnologias emergentes incorporadas aos carros autônomos irão avançar frente aos negócios - tenha em mente seguradoras, postos de gasolina, estacionamentos - as mesmas tecnologias serão responsáveis por impactar todo e qualquer negócio. Inteligência artificial, cloud, big data analytics, Internet das Coisas, robótica e blockchain estão no encalço de uma nova revolução digital, dizem analistas.

Tecnologias emergentes estão no horizonte de novas oportunidades de negócio. E a SAP não esconde que cloud computing é a atual menina dos olhos para a própria e a oportunidade para parceiros explorarem no segmento de pequenas e médias empresas.

"Na América Latina, 2017 é o ano de cloud. No ano passado, havia alguma dúvida ainda, clientes hesitavam um pouco, 'onde estão meus dados', eles se perguntavam. Hoje não há nenhum cliente em nenhum país da América Latina que não queira comprar soluções através de cloud", ressalta Pablo Signorelli.

Aos parceiros de negócio, a mensagem que fica é que cloud deve ser priorizada nas estratégias dos mesmos. "Já se trata de core business, as empresas estão adquirindo cloud para o seu ERP. O crescimento que esperamos em ERP em cloud é gigantesco na AL", prevê. "Precisamos que vocês capturem essas oportunidades e tragam soluções de ponta a ponta para o mercado", reforça Signorelli tendo em vista que os parceiros são também motor de crescimento da própria SAP.

A alemã encerrou o segundo trimestre com receita total de 5,7 bilhões de euros, 10% a mais que os 5,2 bilhões de euros registrados entre janeiro e março do ano passado. E a divisão de cloud teve papel importante aí. A expansão da receita foi puxada pela venda de licenças de software e a oferta de software na nuvem, que, juntas, registraram 4,7 bilhões de euros, cifra 9% superior aos 4,3 bilhões obtidos no mesmo trimestre de 2016. A receita somente com subscrições de cloud e suporte totalizou 932 milhões de euros, o que representa um crescimento de 29% na comparação com igual período do ano passado, quando contabilizou 720 milhões de euros.

E o Brasil teve um papel de destaque para a fabricante de software. No País, a empresa elevou em três dígitos seus novos negócios em nuvem, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O mesmo aumento de três dígitos foi registrado nas vendas de soluções em nuvem para pequenas e médias empresas realizadas por meio de parceiros.

O crescimento de três dígitos conquistado no mercado brasileiro parece ter elevado a barra para o restante da América Latina. As metas agressivas preveem, claro, a crescente demanda pela transformação digital.

Signorelli cita uma pesquisa feita pela SAP onde 90% dos CEOS entrevistados afirmam reconhecer que é preciso fazer algo a respeito do tema e que veem na nova economia digital uma oportunidade e uma ameaça se não fizerem nada: "No entanto, destas empresas somente 25% têm um plano, estão recrutando e somente 5% já finalizou esse processo de transformação digital. Então, a oportunidade é enorme, tendo em vista que 75% sabem que precisam fazer algo. E muitas dessas companhias veem na SAP um player muito importante da transformação digital".

*Jornalista participou do Executive Partner Summit à convite da SAP