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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Opinião. A Inteligência Artificial não está a chegar… já está cá!



No Mobile World Congress (MWC) deste ano em Barcelona, Masayoshi Son fez uma declaração arrojada. O fundador do SoftBank, uma empresa de tecnologia e telecomunicações, anunciou que “o dia em que a inteligência artificial vai ultrapassar o cérebro humano… vai chegar nos próximos trinta anos”. Uma afirmação imensa num evento marcado pelo relançamento do Nokia 3310. 
A Inteligência Artificial (IA) tem uma longa história. Prometeu florescer primeiramente nos anos 1950, quando os programadores começaram a treinar os computadores para detetar padrões em bancos de dados. Desde então, a definição de IA progrediu para passar a abranger uma qualquer tecnologia que entenda o mundo exterior, processe essa informação e aja por meio de resposta. 
Até recentemente, ou as máquinas careciam do poder computacional para correr os necessários algoritmos ou os bancos de dados eram demasiado diminutos para conter informação suficiente para um treino adequado. Além disso, tem sido relativamente fácil ensinar os computadores a resolver equações diferenciais complexas ou a jogar xadrez, mas quase impossível atribuir-lhes competências básicas como andar ou agarrar coisas. Isto é conhecido como o Paradoxo de Moravec. 
Porém, a emergência de IA genuína é hoje uma real possibilidade. Isto deve-se a uma convergência sem precedentes entre a poderosa computação assente na nuvem (cloud), a tecnologia móvel e a escala absoluta dos meta-dados (big data). Melhores processadores significa que os computadores podem processar mais dados e mais depressa. Em contrapartida, big data significa mais informação para os computadores processarem. O resultado é que, mais do que nunca antes, os computadores podem aprender mais, e mais depressa, sobre o mundo exterior. 
Contudo, é importante compreender que muita da IA atual está já a consegui-lo nos bastidores ou prestes a iniciar essa jornada. E o desenvolvimento dos smartphones tem sido fundamental para isso. A Lei de Moore, uma observação que o desempenho dos chips duplica todos os anos, significa que o smartphone médio tem, atualmente, um poder computacional bastante superior aos maiores supercomputadores de há cinquenta anos. 
Combinado com a sempre ligada conectividade e múltiplos tipos de sensores, o smartphone tornou-se numa das ferramentas mais poderosas do mundo para a compilação de dados. Todos os dias, as pessoas em todo o mundo utilizam o seu telefone para monitorizar o consumo de calorias, fazer compras e cada vez mais, através da ‘Internet das Coisas’, controlar as máquinas em seu redor. A informação daí resultante pode ser armazenada, analisada e interpretada de forma pouco onerosa, de tal forma que quase todos os nossos telefones integram já uma qualquer forma de IA. 
Por exemplo, no mundo dos transportes, os algoritmos para o planeamento de rotas, que se adaptam às mudanças nas condições do tráfego, fazem já parte das nossas vidas. E pequenas melhorias como o auto-estacionamento e o cruise control ajustável estão numa trajetória semelhante. Hoje, comunicamos de forma rotineira com os nossos computadores através de assistentes virtuais como a Alexa da Amazon, a Siri da Apple e a Assistente da Google. Mesmo no mundo dos serviços financeiros, a IA está a ser utilizada para calibrar decisões de investimento na forma de “conselheiros robô” como o Wealthfront, que fornecem serviços automatizados e ainda detetam a fraude. 
No entanto, estes desenvolvimentos na fase inicial (early-stage) estão a ganhar forma para guiar a próxima vaga de inovação, inteligência e automação ao longo das próximas décadas. A Tesla gaba-se que os seus veículos já “têm o hardware necessário para uma condução totalmente automática com um nível de segurança francamente superior à condução humana”. Entretanto, no campo da medicina, as possibilidades de salvar vidas humanas são ainda maiores. Uma equipa do Imperial College em Londres desenvolveu IA que consegue diagnosticar a hipertensão pulmonar com uma precisão de 80%1, comparado com os cardiologistas que apresentam uma precisão de tipicamente 60%. A Google, entretanto, atingiu resultados ao nível do estado da arte para a identificação do cancro da mama2. E enquanto os assistentes virtuais já compreendem e reagem aos nossos comandos, não deveríamos ficar surpreendidos por começar a vê-los prever e apoiar as nossas ações no futuro. 
Estas mudanças vão ter um impacto dramático nas empresas em que investimos, direta e indiretamente. Por exemplo, o trabalho nos carros sem condutor de empresas como a Google, Tesla e Uber ameaça, não apenas os estabelecidos gigantes da indústria automóvel, como os negócios que os fornecem. Os automóveis guiados por IA vão mover-se de forma diferente, mas continuam a ter donos, a ser reparados e, com a eliminação do erro “humano”, a serem segurados de uma forma também diferente. 
Esta disrupção vai, muito provavelmente, criar tantas indústrias e parcerias como aquelas que destrói. Para compreender como isto pode afetar os investidores, basta olharmos para o S&P 500. Em 1960, o ativo típico estava no índice há pelo menos 60 anos. Trinta anos mais tarde, esse período tinha baixado para 20 anos. A tendência atual caminha para os 12 anos3. O ritmo alucinante a que a tecnologia progride significa que as empresas estão cada vez mais vulneráveis à disrupção – desde 1989, todos os rendimentos de longo-prazo do S&P 500 vieram apenas de 20% dos ativos. Em resultado disso, esta vulnerabilidade à disrupção é algo que escolhemos incluir ativamente na nossa análise mais abrangente de empresas. 
Os benefícios potenciais da IA levaram a que alguns equiparassem os seus avanços à próxima revolução industrial. Da mesma forma que as máquinas a vapor mudaram a face das economias rurais e a força de trabalho, a IA tem potencial para interferir com modelos de negócios na sua totalidade. Enquanto investidores, é nosso papel identificar as empresas que vão impulsionar e beneficiar dessas mudanças, bem como aquelas capazes de resistir. Apesar disso, abraçar e adaptar a esses desafios é o que torna os próximos trinta anos tão entusiasmantes. 
Sebastian Thomas, Technology Portfolio Manager na Allianz Global Investors

segunda-feira, 13 de março de 2017

Internet das Coisas e os requisitos à comunicação corporativa

David Rodriguez * Publicada em 10 de março de 2017 às 08h42 em site CIO.


O termo Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) foi usado pela primeira vez em 1999 e, quase duas décadas depois de diversas discussões conceituais, está emergindo com os mercados relacionados a tecnologias da informação e das telecomunicações. Essa iniciativa promete mudar a forma de fazermos as coisas por meio de uma recompilação da informação em tempo real, além de melhorar as oportunidades de aprendizagem, segundo estudo realizado pela União Internacional das Comunicações (UIT), pertencente à Organização das Nações Unidas.
A pergunta a se fazer diante deste cenário, no entanto, é se o mercado corporativo está pronto para isso. Nesse mercado, comunicações e colaboração formam o objetivo final e é isso o que as empresas provedoras de soluções de comunicações têm trabalhado já há alguns anos. A adoção da computação em nuvem, por exemplo, se espalha por meio de redes públicas e privadas, em um esforço para obter o benefício máximo de recursos compartilhados como servidores, armazenamento ou redes utilizadas por diferentes usuários dinamicamente, da mesma forma que o surgimento de grandes data centers.
Vejamos então o que está à frente da IoT e quais são as perspectivas para as empresas. Já em 2005, a UIT, definia a Internet das Coisas como a função do nosso mundo hiperconectado que engloba um conjunto de avanços tecnológicos em diferentes áreas – especificamente conectividade sem fio, nanotecnologia, identificação por radiofrequência (RFID) e tecnologias de sensores inteligentes. Os avanços destas tecnologias, quando combinadas, podem ajudar a concretizar a Internet automatizada, baseada em dispositivos conectados que se comunicam regular e relativamente sem esforço.
Governos, empresas e consumidores estão usando a IoT e o Big Data atualmente para introduzir novos modelos de negócios, melhorar a prestação de serviços, aumentar a eficiência na produção e melhorar o bem estar da população. De forma semelhante a muitas tecnologias, vendedores, executivos, operadoras, políticos e reguladores têm como objetivo maximizar os benefícios da implantação e reduzir ao mínimo os riscos potenciais à segurança e à privacidade.
Assim, podemos simplificar o termo Internet das Coisas como um conjunto de tecnologias relacionadas (além das mencionadas como a convergência, serviços em nuvem, análise de dados e proliferação de sensores) que podem ser usadas ​​em conjunto para obter como resultado:
1.     Maior monitoramento de pessoas, máquinas e dispositivos
2.     Mudança de paradigma nas comunicações de homem-a-homem, máquina-a-máquina; algo como tudo-a-tudo
3.     Percepção maior e mais rápida acerca do estado, da função, do meio ambiente e de tudo à nossa volta
A explosão da Internet das Coisas está levando a um aumento exponencial nos requisitos da infraestrutura física para suportar uma quantidade de máquinas virtuais que aumenta rapidamente e funcionam dinamicamente. A demanda, por vezes, exige isolamento, segmentação, segurança e compartilhamento, tanto nas empresas quanto nos governos e entidades. As operações em cloud utilizam os data centers virtualizados, proporcionando uma perfeita mobilidade da carga de trabalho como fator-chave para garantir a continuidade dos negócios e melhor experiência do usuário na busca por grande quantidade de informação, em uma ampla variedade de dispositivos e aplicações.
IoTrede
A consultoria especializada em TIC Gartner havia previsto 6,4 milhões de “coisas” conectadas em uso no mundo todo em 2016. No entanto, em meados de 2015 estimava-se que 15,7 milhões de dispositivos estavam conectados à Internet – incluindo telefones celulares, parquímetros, termostatos, monitores cardíacos, pneus, estradas, carros, supermercados e muitos outros tipos de objetos.
Estimativas de mercado incluem:
-  25 bilhões de dispositivos conectados em 2020 (UIT);
-  24 bilhões de dispositivos conectados em 2020 (GSMA e Machina Research);
-  26 bilhões de dispositivos implantados na Internet das Coisas até 2020, um aumento de trinta vezes desde 2009 (Gartner);
-  A ABI Research estima que haverá mais de 40,9 bilhões em 2020.
-  De acordo com a Deloitte, o mercado de hardware para a Internet das Coisas tinha um valor de cerca de US$ 10 bilhões e o de serviços, aproximadamente US$ 70 bilhões, somente em 2015.
-  A ABI Research sugere que a demanda por hardware e conectividade de IoT cresce a uma taxa anual entre 10% e 20%, enquanto as aplicações, análises e serviços crescem entre 40% e 50% anualmente.
-  O Gartner estima que os provedores de produtos e serviços de IoT poderiam gerar receitas superiores a US$ 300 bilhões até 2020.
-  Previsões da IDC assinalam que o mercado mundial de soluções para IoT crescerá de US$ 1,9 trilhão em 2013 para US$ 7,1 trilhões em 2020.
Em resposta a essas necessidades, organismos de normatização definiram diferentes soluções ou alternativas para lidar com grandes números de usuários com diferentes dispositivos, aplicações e fluxo de informações e dados coletados. Um exemplo é a tecnologia Intelligent Fabric (IFAB), uma arquitetura de infraestrutura que automatiza e simplifica o design, a implantação e a manutenção de redes elásticas baseadas em padrões. IFAB proporciona visibilidade e controle das redes sobrepostas, o que é um benefício, já que a maioria dos data centers atuais têm cargas de trabalho mistas.


(*) David Rodriguez é diretor de desenvolvimento de negócios da divisão de redes de Alcatel-Lucent Enterprise
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