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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

(In) Segurança 4.0

Marcos Villas *

Publicada em 24 de outubro de 2017 no site CIO



industria40

Toda vez que (infelizmente) há um desastre aéreo, as autoridades e os órgãos competentes, de qualquer país do mundo comunicam em um primeiro momento que tais acidentes são causados por múltiplos fatores, dentre eles os que estão relacionados a equipamentos, procedimentos e ao comportamento humano. Os problemas e incidentes de segurança digital (ou cibersegurança) que eventualmente são identificados no contexto de indústrias (atenção: nem todos são identificados!) também têm múltiplos fatores, mas podemos destacar dois grupos: questões técnicas e questões organizacionais.
As questões técnicas dizem respeito a como os recursos técnicos (hardware, software e redes) são utilizados no ambiente da "TI industrial" (também chamada de TO: tecnologias operacionais); as questões organizacionais dizem respeito a como responsabilidades, procedimentos (atualização de software, gestão de riscos etc.) e orçamentos são alocados para pôr em prática os recursos técnicos necessários para um ambiente de TO defensável.
Um dos principais motivos do aumento da quantidade e da gravidade de incidentes de segurança em ambientes industriais é, sem dúvida nenhuma, o aumento da conectividade da TO. Na chamada Terceira Revolução Industrial houve a introdução de controles computadorizados e automação na área industrial; com a Quarta Revolução Industrial (Indústria 4.0) busca-se, entre outros benefícios, um alto grau de conectividade entre equipamentos. Mas atenção: a conectividade por si não é o problema. A questão reside no fato de que sistemas (ex: SCADAs) e protocolos de dados (ex: Modbus) de TO foram criados antes da disseminação da Internet e, portanto, não estavam expostos a ações e ataques do mundo exterior. A TO mal planejada e mal configurada em uma empresa expõe as suas instalações industriais a riscos desnecessários e indesejáveis.
Ataques a instalações industriais são relativamente recentes e não dependem exclusivamente da Internet. Uma das primeiras ocorrências que se tem conhecimento aconteceu na Austrália em 2000 ("Maroochy") onde um sistema SCADA radiocontrolado de uma estação de tratamento de esgotos recebeu comandos via rádio que causaram o derramamento de mais de 800 mil litros de esgoto não tratado em parques, rios e até mesmo na área de um hotel. Um dos ataques mais famosos ocorreu no Irã em 2010 ("Stuxnet"), quando foram afetadas diversas instalações industriais, dentre elas uma usina de enriquecimento de urânio. Mais recentemente, em 2016, subestações de distribuição de energia elétrica na Ucrânia foram atacadas causando a interrupção do fornecimento de energia ("Industroyer"). Houve pelo menos dois ataques relatados nos EUA em 2016: "Kemury" (nome fictício), uma estação de tratamento de água que atendia a 2,5 milhões de consumidores na qual hackers conseguiram alterar configurações relacionadas ao fluxo e à quantidade de produtos químicos utilizados para tratamento da água, e "Rye Brook", onde hackers iranianos conseguiram acesso a uma pequena barragem de controle de inundação com cerca de 30km de distância do Central Park, em Nova York (EUA).
O impacto mais evidente das tecnologias da Indústria 4.0 no que se refere à segurança dos ambientes industriais está relacionado à IIoT: a chamada "Internet das Coisas Industriais". Devido às suas características inatas de alta conectividade, tais dispositivos podem ser instalados em ambientes industriais sem o devido cuidado com aspectos de segurança. Em muitos casos os mecanismos tradicionais de segurança colocados em prática a partir do projeto da rede são desconsiderados (bypassados). É o problema do "basta…": "basta acoplar, ligar e começar a coletar dados". Sim, para coletar dados é simples, mas é necessário controlar o grau de exposição do ambiente de TO, para que este não fique desnecessariamente vulnerável a ataques.
A(s) rede(s) no ambiente de TO quando mal planejadas, mal configuradas e mal inventariadas convidam os mais diversos tipos de ataque. Há pelo menos duas dimensões a serem consideradas em ataques neste contexto: o grau de penetração na rede e o grau de dano aos dados. Ataques de negação de serviço, distribuídos (DDoS) ou não (DoS), e invasões, caracterizam o grau de penetração na rede; o grau de dano aos dados pode ser caracterizado como roubo (espionagem, que não afeta ou interrompe a produção), sequestro (que interrompe a produção) e adulteração (não interrompe a produção, mas altera o seu comportamento previsto). Há exemplos recentes em todos os casos.
Tal como os aviões, a utilização dos princípios e tecnologias preconizados pela Indústria 4.0 precisam decolar de forma segura e todo e qualquer incidente precisa ser evitado. Os avanços tecnológicos recentes que possibilitam a captura de dados de forma ampla e barata trazem novos desafios para a cibersegurança nos ambientes industriais. Mas não basta apenas ter muitos sensores, muitos equipamentos interconectados. Controlar adequadamente e de forma consciente a menor exposição necessária do ambiente de TO a ataques externos é um dos fatores de sucesso para adoção da IIoT nas indústrias.

(*) Marcos Villas é M.Sc. em Computação, D.Sc. em Administração, sócio-fundador da RSI Redes e professor da PUC-Rio

    quinta-feira, 19 de outubro de 2017

    Nova tecnologia é capaz de aumentar dramaticamente a velocidade de sua internet

    Canaltech em 19/10/2017

    Resultado de imagem para fibra optica

    Em horários de pico, a velocidade de sua internet pode cair em até 30%, mas uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores da UCL Optical Networks Group pode fazer com que as velocidades de dados atinjam mais de 10.000 megabits por segundo no Reino Unido, e o melhor: com baixo custo.
    "As velocidades de banda larga do Reino Unido são terrivelmente lentas em comparação com muitos outros países, mas esta não é uma limitação técnica. Embora 300 Mb/s possam estar disponíveis para alguns, as velocidades médias do Reino Unido são atualmente de 36 Mb/s. Até 2025, velocidades médias superiores a 100 vezes mais rápido serão necessárias para atender às crescentes demandas de aplicações com fome de largura de banda, como o vídeo de ultra-definição, o jogo online e a Internet das coisas", explicou o pesquisador principal Dr. Sezer Erkılınç.
    Segundo o estudo, que foi publicado na Nature Communications, cientistas do UCL e da Universidade de Cambridge conseguiram criar um novo receptor simplificado para ser usado em redes ópticas. "Para maximizar a capacidade dos links de fibra óptica, os dados são transmitidos usando diferentes comprimentos de onda, ou cores, de luz. Idealmente, dedicaríamos um comprimento de onda a cada assinante para evitar o compartilhamento de largura de banda entre os usuários. Embora isso já seja possível usando hardware sensível conhecido como receptores coerentes, eles são caros e só financeiramente viáveis ​​em redes principais que vinculam países e cidades ", explicou a professora Polina Bayvel.
    Esse novo receptor simplificado é mais simples, menor e mais barato do que os atuais, exigindo apenas um quarto dos detectores usados nos convencionais. Isso é possível graças à adoção de uma técnica de codificação para redes de acesso a fibra que foi projetada originalmente para evitar a queda de sinal em comunicações sem fio. "Este receptor simples oferece aos usuários um comprimento de onda dedicado, de modo que as velocidades do usuário permanecem constantes independentemente de quantos usuários estiverem conectados de uma só vez. Pode coexistir com a infraestrutura de rede atual, potencialmente quadruplicando o número de usuários que podem ser suportados e duplicando a rede distância / cobertura de transmissão", acrescentou o Dr. Sezer Erkılınç.
    Testes foram conduzidos com o novo receptor em uma rede de fibra instalada em Londres, e a equipe conseguiu, com sucesso, enviar dados em mais de 37,6 km para oito usuários, que fizeram downloads e uploads a uma velocidade de, no mínimo, 10 GB/s, o que é 30 vezes mais rápido do que melhor banda larga do Reino Unido.
    A partir de agora, a equipe trabalhará para reduzir os requisitos de energia elétrica para a técnica, tornando-a comercialmente viável em um futuro próximo.
    Fonte: Science Daily

    segunda-feira, 17 de julho de 2017

    Uso de WANs definidas por software deve crescer 90% até 2020



    As redes WANs definidas por software (SD-WANs) são uma nova abordagem para projetar e implantar uma rede de longa distância corporativa que usa software para determinar a maneira mais eficaz de encaminhar o tráfego para locais remotos. Para os líderes de TI, as SD-WANs podem ajudar a resolver os problemas de desempenho de aplicativos que consomem muita a largura de banda, sem a necessidade de upgrades de infraestrutura dispendiosos associados a uma WAN tradicional.

    Apesar de tratar-se de um conceito relativamente recente, 64% das empresas nos Estados Unidos planejam implantar ou substituir a WAN tradicional por uma solução SD-WAN nos próximos 12 meses, de acordo com o estudo “Business Technographics Network & Telecommunications Survey, 2016”, da Forrester Research.

    Um relatório da IDC aponta, inclusive, que a demanda por redes mais ágeis, impulsionadas pela tendência de migração de aplicações para nuvem e a mobilidade, deve impulsionar o crescimento das SD-WANs, que devem apresentar uma taxa média de crescimento composto anual (CAGR, na sigla em inglês) de 90% até 2020.

    Um olhar rápido para a TI e a realidade corporativa explica o boom estimado para as SD-WANs. Se perguntar aos CIOs e administradores de redes o que ele mais precisam hoje para melhor apoiar os usuários, eles provavelmente listarão necessidades semelhantes — visibilidade maior de suas WANs, incluindo uma imagem mais precisa sobre como os aplicativos que estão sendo executados e quanta largura de banda eles consomem, e uma maneira mais simples para priorizar esses aplicativos, sem depender de um provedor de serviços para esse monitoramento. De modo geral, eles desejam desesperadamente provisionar a expansão das ramificações locais para atender a demanda dos usuários por conectividade em alta velocidade à WAN, sem quebrar o orçamento com os custos elevados de infraestrutura e o gerenciamento contínuo. Ironicamente, alguns locais têm largura de banda para poupar, enquanto outros são consumidores vorazes de largura de banda.

    As equipes de TI e de rede querem um caminho para rearquitetar e reprogramar conexões cada vez que uma filial pede novos recursos, como um link de videoconferência, por exemplo. A entrega de aplicativos de alto desempenho para clientes e funcionários é fundamental para gerar uma experiência positiva ao cliente — aplicativos lentos ou interrupções hoje são simplesmente inaceitáveis. Em outras palavras, eles querem largura de banda sem emenda na rede distribuída da empresa.

    Com as SD-WANs, eles podem ter isso e muito mais. As SD-WANs fazem o roteamento dinâmico de aplicativos, com uma combinação de tipos de acesso, público e privado, para atingir vários locais. Em vez de gerenciar vários roteadores, firewalls e switches — e todos os fornecedores que os vendem — os serviços de rede são hospedados em dispositivos de borda e controlados de um local centralizado e conveniente, fornecendo acesso e controle sobre toda a rede corporativa.

    A IDC reporta que os gastos globais com serviços de nuvem pública irão superar a casa dos US$ 122,5 bilhões neste ano. Na verdade, a maioria das organizações raramente precisa de toda a funcionalidade das complexas infraestruturas legadas de WAN, mas eles pagam por isso de qualquer forma. Isso porque elas foram projetadas para resolver problemas de alcance das grandes redes, mas não conseguem atender as demandas de voz sobre IP, aplicações em tempo real, conectividade para aplicações em nuvem, proliferação de filiais e outras necessidades de TI. O legado de WANs baseadas em roteadores também é caro — pode facilmente corroer milhares de dólares para apenas um ponto do campus. Por comparação, os custos de usar uma SD-WAN para provisionar uma WAN podem ser significativamente inferiores ao custo de usar uma abordagem tradicional baseada em roteador.

    Falando dos benefícios das SD-WANs, Andre Kindness, analista principal da Forrester Research cita modelos mais flexibilidade que agora prevalecem para democratizar o uso da rede, permitir a mobilidade de pessoas e dispositivos e capacitar a todos, não apenas os profissionais de rede, para exercer um certo nível de controle do consumo de recursos de rede.

    Ciclo de atualização

    Apesar dos benefícios e vantagens de custo das SD-WANs, seria imprudente simplesmente substituir o legado das WANs tradicionais. A infraestrutura de WANs, no entanto, tem um ciclo de atualização previsível. Como o fim do ciclo se aproxima, as empresas precisam fazer um planejamento para integrar as SD-WANs. Inicialmente, elas podem ser integradas de forma experimental, local a local. Esta abordagem possibilita que a cara infraestrutura de WAN tradicional seja gradualmente eliminada. Um conjunto inicial de destinos pode ser a conexão de filiais ao escritório central.

    As SD-WANs podem agregar múltiplas e baratas conexões de internet de alta largura de banda em uma única conexão compartilhada e serem roteadas dinamicamente com base nas necessidades dos aplicativos. As melhores soluções SD-WAN permitem o roteamento dinâmico através de um único console remoto.

    É preciso também olhar para ofertas SD-WAN que podem ser aproveitados para impulsionar a conectividade de internet segura, tornando-as mais competitivas em relação às linhas T-1 e opções Multiprotocol Label Switching (MPLS), mecanismo de redes de telecomunicações de alto desempenho. Estes e outros recursos estão disponíveis através da nuvem com SD-WANs, que possibilitam mais flexibilidade na conectividade aos usuários.

    A implantação de SD-WANs em uma infraestrutura legada de WAN, no entanto, tem muitos desafios. E começa pela escolha do fornecedor. A seguir listamos alguns aspectos-chave para a seleção de um fornecedor:

    • Experiência no mercado. Embora as SD-WANs possam simplificar e fortalecer a gestão de uma WAN da rede, não ache que a implantação de SD-WANs é simples. O gênio da nuvem baseada em SD-WANs reside na complexidade que está oculta, derivada unicamente da experiência profunda no mercado de WAN. A experiência de um fornecedor pode ser verificada através de uma simples pesquisa na internet. Preste muita atenção ao que os clientes dizem sobre o valor da TI e de negócios das ofertas de WAN do fornecedor, juntamente com o número de SD-WANs implantadas.

    • Os fornecedores incumbentes tem grande experiência, mas fizeram fortunas vendendo roteadores caros. Uma pergunta razoável a ponderar é saber o quão comprometidos eles estão com uma tecnologia de roteador menos cara e totalmente não hegemônica.

    • Força de SLAs e QoS para SD-WANs. Os acordos de nível de serviço (SLAs) e qualidade de serviço (QoS) são garantias que devem ser exigidas para permitir que sejam definidos perfis de tráfego de rede, valores mínimos e máximos para perda de pacotes, latência e largura de banda do aplicativo. Defina políticas e as estenda sem problemas para cada localidade. Defina também diretivas que permitam priorizar automaticamente o tráfego.

    • Outras considerações. Ao considerar um fornecedor de serviços SD-WAN, verifique se ele oferece gerenciamento centralizado através de um "painel único" ou portal do cliente, que forneça visibilidade e controle de todas as funções da WAN. Verifique também se o serviço permite convergência amigável de voz, dados e aplicativos de vídeo, com provisionamento de baixo resiliência, e se oferece conexões redundantes em todos os locais para aumentar a resiliência geral. É importante notar se um fornecedor de SD-WAN está realmente fornecendo valor adicionado, como um portal de gerenciamento para facilidade de uso.

    terça-feira, 4 de julho de 2017

    Dez projetos de rede de código aberto para manter no radar

    Da Redação, com IDG News Service 
    Publicada em 04 de julho de 2017 no site CIO

    Há uma insurgência de código aberto no setor de rede. Aumentar as demandas na rede para escalar níveis sem precedentes e, ao mesmo tempo, tornar-se mais personalizado para casos específicos de uso levou ao surgimento de projetos de código aberto para apoiá-los.
    Em muitos casos, os fornecedores de redes estão usando esses projetos de código aberto como base para produtos de redes empresariais. Em outros casos, eles são a principal tecnologia subjacente para algumas das maiores redes do mundo.
    "A transformação da rede está se movendo para uma fase de implantações prontas para a produção", diz Arpit Joshipura, gerente geral de redes da Linux Foundation. "Como isso acontece, acreditamos que há uma grande disrupção acontecendo em redes de código aberto, e está se tornando um elemento fundamental para a próxima geração de TI e redes de próxima geração para operadoras".
    Aqui estão 10 dos mais importantes projetos de código aberto no setor de rede.
    CORDÃO
    A idweia por trás do Escritório Central Re-arquitetado como um projeto de Centro de Dados (CORD) é que as operadoras de telecomunicações e ambientes de provedores de serviços geralmente incluem uma infinidade de hardware e software para controlar muitos aspectos diferentes das redes. O CORD visa criar uma plataforma operacional definida por software para data centers que usam servidores de commodities, switches de caixa branca e software de código aberto.

    FD.io
    FD.io significa Fast Data - entrada / saída, e é um projeto de código aberto composto por várias bibliotecas de código aberto, todas com o objetivo de acelerar a eficiência de dados em redes. O FD.io concentra-se na garantia de que as implementações de redes de código aberto tenham menor latência e serviços de IO mais eficientes. Há um punhado de áreas de foco para FD.io, incluindo um projeto de Processamento de Pacotes de Vector (VPP) doado pela Cisco, e outros focados em aceleração de hardware, capacidade de programação e integração com outros sistemas. Os componentes do FD.io normalmente são usados ​​em conjunto com outros projetos, como OpenDaylight, OpenNFV e OpenStack. Os componentes são projetados para funcionar em uma variedade de hardware genérico, incluindo x86, ARM e PowerPC. Os membros Platinum do projeto FD.io incluem Cisco, Ericsson e Intel.

    Mano
    Mano deve ser um projeto de software de código aberto para gerenciamento e orquestração de redes definidas por software e virtualização de funções de rede. Concentra-se em áreas essenciais, tais como suporte a implantações de vários sites, a bordo de NFVs, pacotes de funções de rede virtual, atualizações e instalações em um SDN, criando ambientes de desenvolvimento, modelagem de serviços e conhecimento de plataforma. O Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações (ETSI) abriga o projeto.

    ONAP
    A Plataforma de Automação de Rede Aberta, ou ONAP, é a combinação de dois projetos: o ECOMP, que foi doado pela AT & T e pela plataforma Open-O Orchestration. O ONAP destina-se principalmente a fornecer uma plataforma de automação e orquestração de fonte aberta para prestadores de serviços, particularmente fornecedores de telecomunicações, para executar SDNs e oferecer funções de rede virtual. As mais de 10 milhões de linhas de código da ONAP incluem processos para redes onboard e funções de rede, orquestração, controle, inventário e manutenção de políticas em toda a rede.

    ONOS
    O Sistema Operacional de Rede Aberta (ONOS) se descreve como um sistema operacional de redes abertas (SDN) de software de rede aberta. É orientado para provedores de serviços que procuram um sistema operacional de código aberto no qual criar ou executar o software SDN.

    OpenDaylight
    Fundada em 2013, este controlador de rede aberto modular para redes definidas por software (SDN) está alojado dentro da Fundação Linux. É fundamentalmente uma série de pacotes de software que os usuários podem usar bits e partes - ou o todo - para criar controladores de software para suas redes virtuais. Muitos vendedores usam ou suportam o código-fonte aberto em seus controladores comerciais SDN, incluindo Brocade, HPE, Ericsson, Serro e Inocybe. A Fundação OpenDaylight, que gerencia o desenvolvimento do código-fonte para a Fundação Linux, diz que existem 27 grupos de usuários do OpenDaylight em todo o mundo.

    open
    OpenFlow
    OpenFlow é creditado como sendo o primeiro protocolo de comunicação padrão no mercado de redes definidas pelo software. Desenvolvido na Universidade de Stanford, os padrões de comunicação no OpenFlow determinam como o plano de controle pode se comunicar com o plano de dados de encaminhamento em ambientes SDN. Embora o OpenFlow não seja um projeto de código aberto, os padrões desenvolvidos pela OpenFlow e seu organizador, a Open Networking Foundation são alguns dos padrões mais importantes no mercado de SDN. Os fornecedores incluindo Alcatlel-Lucent, Arista, Brocade, Big Switch Networks, Ciena, Cisco, Cumulus, Dell, Ericsson, Extreme Networks, HPE, Huawei, Juniper, Pica8 e muitos outros suportam padrões OpenFlow em pelo menos alguns de seus roteadores e switches.

    OpenNFV
    A Virtualização das Funções da Rede (NFV) é a ideia de substituir aplicativos de rede que costumavam estar em hardware dedicado, como balanceadores de carga e firewalls, e implementá-los como software. O objetivo do OpenNFV é criar componentes de código aberto de NFV. A OpenNFV criou uma plataforma NFV de referência para as empresas criarem e implantarem componentes NFV, com o objetivo de fornecer integração no nível do sistema. O OpenNFV tem sido usado principalmente por provedores de serviços e fornecedores de telecomunicações. AT&T, Cisco, Dell, Ericsson, HPE, Huawei, IBM, Intel, Juniper, Red Hat e SUSE estão entre as 53 empresas membros do projeto OpenNFV, que está alojado na Linux Foundation.

    OpenSwitch
    O OpenSwitch é um sistema operacional de rede aberto (NOS) baseado em Linux modular, hospedado na Fundação Linux. É uma plataforma de software que oferece recursos de camada 2 e 3. Ele deve ser executado dentro de hardware, como switches e roteadores, que são projetados usando especificações do Open Compute Project. Os membros Premier do projeto OpenSwitch incluem Barefoot Networks, Broadcom, Cavium, Dell EMC, Extreme Networks, Hewlett Packard Enterprise, Mellanox e Snaproute.

    OpenvSwitch
    OpenvSwitch, também conhecido como OVS, é um switch virtual de múltiplas camadas distribuído com uma licença Apache. OpenvSwitch pode ser usado como uma implementação virtual ou de software de uma chave de rede em um ambiente de rede. OVS é usado para conectar máquinas virtuais dentro de um host ou máquinas virtuais em hosts. Ele também suporta protocolos de rede comuns, como o OpenFlow, bem como as arquiteturas padrão da árvore de expansão, a marcação de VLAN e o espelhamento de portas.

    terça-feira, 6 de junho de 2017

    Arezzo customiza rede para aumentar disponibilidade e segurança

    Em 05/06/2017

    A Arezzo, uma das maiores redes de calçados, bolsas e acessórios femininos, com cerca de 350 lojas espalhadas por mais de 180 municípios em todo o Brasil, sempre teve consciência de que ter suas redes atualizadas, com tecnologias de última geração, é também diferencial competitivo para atender sua exigente clientela e gerir seu negócio.

    Assim, para garantir a não interrupção de suas operações, a Arezzo decidiu contratar a Nap IT Network Solutions, empresa especializada em redes corporativas e integração de soluções de TI, para uma consultoria e análise no ambiente de rede de sua principal unidade, localizada em Campo Bom, no Rio Grande de Su.

    O objetivo era identificar um projeto ideal a fim de reduzir as possibilidades de incidentes na rede, assim como elevar o desempenho global e a segurança aos processos.

    Por meio de uma análise detalhada no data center da Arezzo, a Nap IT identificou que uma reestruturação na rede local (LAN) iria mitigar os riscos de incidentes críticos ao mesmo tempo em que ampliaria o desempenho. A avaliação apontou a estrutura de uma rede plana, que desfavorecia a segmentação dos ambientes de servidores e o de usuários. Esse fator tornava a performance da rede mais crítica com o aumento do volume de dados trafegados no dia a dia.

    Segundo Klaus Engelmann, engenheiro de rede da Nap IT, o modelo de infraestrutura até então utilizado dava margem à lentidão e aos conflitos dos protocolos de internet (IP). “Constatamos a necessidade da aquisição de novos equipamentos, que inclusive dariam mais segurança à rede”, explica.

    Soluções integradas

    Os equipamentos para atender as novas demandas de cada área, assim como o planejamento do projeto, foram definidos em um estudo da topologia de toda a rede da empresa. A indicação foi para a aquisição de dois modelos de switches da Cisco — a linha Catalyst 3850, solução que segmenta a rede e agrega alto desempenho às conexões; e a linha Catalyst 2960-X, utilizadas para dar suporte aos usuários da rede da matriz.

    “O processo de segmentação lógica da rede exigiu um alinhamento preciso entre a equipe de TI da Arezzo e o time de engenharia da Nap IT. Analisamos todos os riscos, para que o impacto causado pelas mudanças fosse o menor possível", ressalta o gerente de conta da Nap IT, Sandro Santos.






    No total, o projeto envolveu seis profissionais: quatro da equipe da Arezzo e dois engenheiros da Nap IT. Desde a fase de planejamento até a execução, foram 30 dias de trabalho.

    Rede sem fio estruturada

    Além dos swichtes e a customização da rede LAN, a Nap IT realizou, na sequência, toda reestruturação da rede wireless da matriz da empresa. Por meio de um trabalho de site survey (inspeção técnica) foi feito todo o mapeamento do local para identificação das necessidades em relação à cobertura, intensidade de sinal, propagação, interferências, tráfego dentro da rede wireless e os melhores locais para inserção de equipamentos e migração da rede WLAN.

    Foi utilizada uma solução da Cisco, com uma controladora wireless para gerenciamento de todos os pontos de acesso e alguns Access Points para total cobertura da planta da companhia.

    De acordo com o coordenador de Infraestrutura de TI da Arezzo, Adriano Luiz Weschenfelder, o investimento em novas tecnologias reforça os objetivos da empresa em atuar por meio de processos mais ágeis, segmentados e seguros. “As soluções integradas permitem maior capacidade de controle da nossa equipe de TI em relação ao ambiente tecnológico, além de oferecer recursos para prevermos e prevenirmos falhas de conexão e outros aspectos que podem impactar em nossa produtividade”, esclarece.

    Desempenho e segurança

    Durante a fase de implementação, a Nap IT apresentou à equipe de TI da Arezzo as funcionalidades e as facilidades de uso dos novos equipamentos. A partir desse treinamento, os profissionais se tornaram aptos a identificar qualquer tipo de incidente na rede, prevendo aspectos de lentidão e falhas dos sistemas.

    A capacitação da equipe de TI da Arezzo junto às tecnologias integradas possibilita à empresa maior estabilidade. Por fim, a Arezzo obteve aumento de performance em sua rede e mais segurança para os dados, além da melhoria significativa no desempenho do data center.

    terça-feira, 31 de janeiro de 2017

    Blog Lambda3 - Como usar NuGet sem escancarar a rede?

    Mais um post da série “causos de ALM nos cliente Lambda3“.
    De um lado, os desenvolvedores querendo ter acesso irrestrito ao NuGet (www.nuget.org) por razões óbvias. De outro lado, o pessoal responsável por segurança e infraestrutura preocupados com o risco de liberar o acesso irrestrito ao NuGet no firewall.
    #comofaz?

    O problema

    O grande desafio encontrado neste caso – que, aliás, é comum à maioria de nossos clientes – é como equilibrar entre a conveniência para os desenvolvedores e a segurança para a empresa?
    Mais especificamente: a política de firewall da empresa em questão prevê, entre outras coisas, whitelisting de IPs que podem ser acessados a partir de sua rede interna. Em outras palavras, é preciso liberar um determinado range de IPs para que eles possam ser acessados.
    Entretanto, em tempos de cloud computing e de endereços IPv4 esgotados, está cada vez difícil sustentar esta estratégia. Isso porque é cada vez mais comum que provedores de serviço mudem os IPs de seus serviços com uma certa frequência, contando com os serviços de DNS para notificar os clientes quando tais mudanças acontecem.
    No caso do NuGet, isso quer dizer que os IPs dos endpoints de serviço do NuGet podem mudar. Veja o resultado atual (consultado no dia da publicação deste post) do DNS lookup para um dos domínios do NuGet:
    C:\> nslookup api.nuget.org
    
    Server:   ***************
    Address:  ***.***.***.***
    
    Non-authoritative answer:
    Name:    cs9.wpc.v0cdn.net
    Addresses:  2606:2800:157:1508:1539:174:1a75:1191
              192.16.48.200
    Aliases:  api.nuget.org
              db16.wpc.azureedge.net
    
    Viu como o domínio api.nuget.org é, na verdade, um alias (ou CNAME) para um CDN? Isso quer dizer que não há nenhuma garantia de que o IP retornado por api.nuget.org vai ser sempre 192.16.48.200. Pelo contrário – a natureza dinâmica dos CDN é quase uma certeza de que esse IP vai mudar em algum momento.
    Portanto, uma liberação baseada em IPs não resolve. Neste caso, qual a alternativa?

    Soluções

    Obviamente precisamos de uma alternativa. Principalmente porque, no caso deste cliente, ele nos perguntou explicitamente:
    Como outros clientes de você atuam nesta situação?
    Bem, deixe-me compartilhar com vocês o que andamos vendo em nossos clientes:

    Acesso irrestrito a *.nuget.org

    Sim, é claro que esta é uma opção válida – ainda que pouco desejável em muitos de nossos clientes, que ficam desconfortáveis com acesso irrestrito à internet. Entretanto, esta é uma opção relativamente comum, em especial naqueles clientes que não podem (ou não querem) ter o overhead de gerenciar o acesso ao NuGet. Afinal, limitações de acesso aqui podem impactar diretamente na produtividade dos desenvolvedores.
    Se você não se quiser liberar todos os domínios abaixo de nuget.org (*.nuget.org), pode liberar apenas estes dois:
    • www.nuget.org (HTTP, HTTPS);
    • api.nuget.org (HTTP, HTTPS).
    O maior inconveniente dessa abordagem (segundo alguns de nossos clientes) é que o acesso precisa ser dado para todo mundo: desenvolvedores, agentes de build e release, servidores… Todo mundo pode precisar acessar o NuGet.org.
    Será que não tem um meio-termo?

    Servidor proxy de NuGet

    Sim, há um meio-termo. Com um servidor de proxy de NuGet (usamos o ProGet em alguns de nossos clientes), não há a necessidade de liberar o acesso ao NuGet.org para todo mundo. Apenas o servidor de ProGet precisa ter acesso irrestrito ao NuGet.org.
    Quando você configura um servidor ProGet interno, ele é quem baixa os pacotes do NuGet.org para você – por isso é que ele é um “proxy” do NuGet. Isso implica em uma mudança na configuração do NuGet na máquina dos desenvolvedores.
    No Visual Studio de cada desenvolvedor, vá em Tools | Options, selecione a página Package Sources da configuração do NuGet e faça duas coisas:
    • Inclua o endereço do feed do seu proxy (http://proget/nuget/default no meu exemplo); e
    • Desabilite os outros feeds de acesso ao NuGet público.
    Caixa de diálogo de configuração do Visual Studio, na página "Package Sources", com um feed personalizado apontando para um servidor ProGet interno e os outros feeds desabilitados
    Caso você queira evitar de fazer esse processo de configração “na mão”, pode ao invés disso atualizar o arquivo de configuração do NuGet de cada desenvolvedor (por padrão, fica em C:\Users\<nome do usuário>\AppData\Roaming\NuGet\nuget.config), seguindo o exemplo abaixo:
    <?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
    <configuration>
      <packageSources>
        <add key="Package source" value="http://proget/nuget/default" />
        <add key="nuget.org" value="https://api.nuget.org/v3/index.json" protocolVersion="3" />
      </packageSources>
      <disabledPackageSources>
        <add key="nuget.org" value="true" />
        <add key="Microsoft and .NET" value="true" />
        <add key="Microsoft Visual Studio Offline Packages" value="true" />
      </disabledPackageSources>
    </configuration>
    
    Um benefício adicional, do ponto de vista de segurança, é que o ProGet permite fazer a “curadoria” dos pacotes – ou seja, é possível aprovar/reprovar pacotes que aparecem à disposição dos desenvolvedores. Com isso, as empresas acabam com uma alternativa ainda mais segura: o invés de barrar/liberar o NuGet.org como um todo, podem fazer isso seletivamente – pacote a pacote, se necessário.

    Importante

    O recurso de proxy de feeds do ProGet não está disponível na versão gratuita. Para mais detalhes, visite http://inedo.com/proget/pricing

    Liberação por IP

    Bom, se ainda assim nada der certo e você precisar fazer a liberação por IP, resta um problema: Como saber se/quando os IPs do nuget.org mudaram? Uma alternativa é criar um script e executá-lo de tempos em tempos, a fim de verificar se os IPs mudaram ou não (visto que não há um feed oficial com essa finalidade).
    Como ponto de partida, você pode dar uma olhada nest Gist. Ele tem uma função chamada Resolve-ServerAddressque recebe um FQDN como parâmetro e retorna seu IP atual, indicando se ele mudou desde a última execução. Em caso positivo, você poderia por exemplo enviar um email para um administrador avisando da mudança, a fim de que ele possa reconfigurar as regras de firewall. Daí, basta agendar sua execução (via Agendador de Tarefas do Windows) e pronto!

    Passando a régua

    NuGet é algo que veio para resolver um monte de problemas no ecossistema .NET – mas, como qualquer mudança de paradigma, traz seus próprios desafios. Achar o ponto de equilíbrio entre a conveniência desejada pelos desenvolvedores e a segurança necessária para a infraestrutura da empresa não é fácil, mas não dá para empurrar com a barriga. Sem resolver esse tipo de questão, não faz o menor sentido começar a discutir DevOps e assuntos correlatos.
    E aí, o que achou? Deixe seus comentários!
    Um abraço,
    Igor
    (Cross-post de http://www.tshooter.com.br/2017/01/27/como-usar-nuget-sem-escancarar-rede/)

    sexta-feira, 25 de novembro de 2016

    Profissionais TI - SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO: REDE SEGREGADA EM CAMADAS



    Umas das estatísticas que mais se lê no mundo da Segurança da Informação é aquela que diz que 70% dos ataques aos sistemas são internos, ou seja, são executados de dentro da rede da empresa e pelos próprios colaboradores.
    Me parece razoável supor que nos dias atuais essa proporção seja bem maior e por uma razão muito simples que descrevo a seguir.
    Toda troca de informações no mundo digital pressupõe uma conexão, isto é, uma ligação temporária entre duas máquinas por onde essa troca vai ocorrer. Na maioria dos casos, em um dos lados da conexão está um sistema corporativo, com tecnologias de proteção, controle de mudanças e que é manipulado por profissionais da área de informática. Do outro lado da conexão está o usuário, que não é proficiente em computação ou em segurança, que abre todos os anexos que recebe por e-mail independentemente de onde tenham vindo e que está habituado a clicar no botão “Concordo” sem ler nada, pois sabe que é a maneira mais rápida e fácil de fazer qualquer coisa funcionar em um computador.
    Agora vocês vão concluir o óbvio comigo: é muito mais fácil invadir e dominar o computador de um usuário para daí se conectar no sistema corporativo usando as suas credenciais, do que atacar a estrutura de tecnologia da empresa diretamente. Vide o caso dos bancos, que hoje concentram muita energia em criar soluções para garantir que é o próprio usuário acessando sua conta corrente, partindo de seu próprio computador doméstico e não alguém que dominou sua máquina e/ou roubou suas credenciais.
    Então, além dos 70% dos ataques que são internos e executados intencionalmente pelos colaboradores, há ainda mais uma parcela que vem do usuário e da máquina do colaborador, mas por conta de uma manipulação feita por um agente externo. Daí minha suposição de que essa proporção interno versus externo tenha aumentado.
    O desdobramento mais importante dessas conclusões é o seguinte: A rede interna de uma empresa, onde estão os desktops e notebooks dos usuários, simplesmente não pode ser considerada confiável. Ela deve ser tratada como desmilitarizada, isto é, sem proteção perimetral, onde a segurança de cada estação de trabalho fica a cargo dos softwares  e configurações nela instalados como antivírus, personal firewallgroup policies, etc. Em miúdos, é terra de ninguém, como se diz por aí, onde é cada um por si e Deus por todos.
    Fazer Segurança de TI máquina-a-máquina na empresa inteira é muito caro e muito complicado. Cada computador com seu sistema operacional e softwares instalados tem literalmente milhares de parâmetros que, se mal configurados, o deixam vulnerável.
    Mapear, monitorar, corrigir e compatibilizar todos esses parâmetros com as funcionalidades técnicas exigidas pelos sistemas, sem expor tudo a fragilidades, exige um volume gigantesco de horas trabalhadas e conhecimento técnico de uma profundidade que infelizmente a grande maioria dos profissionais de TI não têm.
    Então, para que a Segurança da TI seja efetiva e para que tenha uma relação custo/benefício mais aceitável, é essencial poder contar com segurança perimetral em algumas partes da rede. Ora, se a parte da rede onde estão os usuários é necessariamente desmilitarizada, a única maneira de ter segurança perimetral em outra parte da rede é segregá-la.
    Isto significa quebrar a rede corporativa em redes menores, separadas por ferramentas que filtram as conexões e bloqueiam os ataques. São os chamados firewalls, de antiga e nova geração e os IPS (Sistemas de Prevenção a Intrusão).
    Agora peço atenção especial. Duas camadas, uma militarizada e outra desmilitarizada, constituem um modelo que é bem melhor que uma rede monolítica, mas que ainda deixa muito espaço para melhorar a Segurança e a relação custo/benefício.
    A arquitetura que sugiro aqui possui na verdade três camadas. Entre as que menciono acima, é necessária uma camada intermediária para abrigar os servidores de aplicação e serviços. Como o acesso entre camadas deve ser bem limitado, é importante haver também uma rede de gerência com livre acesso a todas as camadas mas com controle de entrada bem restritivo, preferencialmente com duplo fator de autenticação e criptografia, como uma VPN interna.
    Nas camadas mais expostas, devem ficar os ativos onde temos menos controle sobre o uso. Na intermediária devem ficar os ativos transacionais.  No miolo da rede, área mais bem protegida, devem ficar as “jóias da coroa”, que são as informações da empresa.
    O design geral fica assim:
    arquitetura2
    Rede de Estações de Trabalho: Deve abrigar os desktopsnotebooks e o wifi corporativo. É rede interna, mas deve ser considerada hostil (desmilitarizada) por conta do comportamento do usuário. Esta rede fala com a rede de aplicações e com a rede de saída apenas através das portas de serviço. Fala também com a rede de gerência mas mediante duplo fator de autenticação e criptografia, acesso este que deve ser restrito à equipe de Operação de Infraestrutura de TI.
    Rede de Web e Saída, ou DMZ: Deve abrigar os proxies de saída para a internet e os proxies reversos para suportar as conexões vindas da internet. Também é rede hostil (desmilitarizada), em função da exposição à internet.
    Rede de Aplicações e Serviços: Deve abrigar os servidores de aplicação e middleware, bem como os servidores de serviços como domain controllers, DNS interno, serviços de diretório e mensageria. É rede semi-hostil (semi-militarizada).
    Rede de Banco de Dados: Deve abrigar os servidores e clusters de bancos de dados. Só pode ser acessada através da rede de aplicação e pelas portas de banco de dados, ou pela rede de gerência. É a rede que abriga as informações da empresa em formato estruturado e deve ser a mais protegida.
    Veja como fica o mapa do tráfego entre as camadas:
    trafego
    Uma das vantagens deste modelo é poder balancear a energia investida em segurança de host, que é bem complexa, em função do nível de exposição da rede.
    Na rede militarizada, onde estão os bancos de dados, o acesso é muito restrito. Usuários externos e internos sequer conseguem fechar uma conexão para alguma máquina dessa rede. Sendo assim, as restrições dentro do sistema operacional e do banco não precisam ser tão rígidas.
    Na rede semi-militarizada, acessível apenas pelas portas de serviço e onde estão os servidores de aplicação, se faz necessária uma série de cuidados extras com a configuração dos sistemas operacionais e softwares instalados, bem como cuidado especial com o código dos sistemas que lá residem. Apesar de receber acessos limitados, há a possibilidade de conexão com suas máquinas e os ataques a aplicações são possíveis diretamente.
    Já nas redes desmilitarizadas não se pode confiar na segurança perimetral e os cuidados com a configuração dos ativos devem ser extremos.
    Veja como fica o balanceamento de segurança de rede versus segurança de host no modelo proposto.
    balanco1
    Em tempo: é importante notar que estou falando apenas de rede produtiva. Se a empresa que adota esse design possui equipe de desenvolvimento que produz, testa e publica sistemas frequentemente, é essencial acrescentar a esse modelo uma rede de teste isolada, para que os desenvolvedores possam circular nos servidores de teste sem encostar nos ativos de produção e nas informações reais da empresa.
    Perceba que nossas casas usam o mesmo conceito de proteção em camadas. Nelas, a rede militarizada é o interior da casa, a semi-militarizada é o quintal e a desmilitarizada é a calçada. Os assaltantes de residência fazem com as casas o mesmo que os atacantes fazem com as redes das empresas. Preferem entrar “junto” com o morador ao invés de arrombar portão, a porta e cofre para atingir seu objetivo.
    O modelo é parecido e entendo que vale a pena aprender com o mundo físico novas maneiras de proteger o mundo virtual.
    Um abraço e até o próximo post!
    Publicado originalmente em Blog Ticiano Benetti
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