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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Franquia de Internet banda larga fixa e o mercado de Internet no Brasil

Cledison Fritzen
Em 08/08/2017 no site Profissionais TI

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Tribuna da Internet

O debate sobre o limite de velocidade de internet banda larga fixa é sempre polêmico, mas também importante e necessário.
Desde o início de 2016, quando começou o debate sobre franquia de internet para banda larga no Brasil, muito aconteceu e houveram inúmeras reviravoltas, passamos inicialmente pela aprovação da aplicação de limite de velocidade de internet pelos provedores de internet à atual possibilidade de mudança no Marco Civil da Internet, através do PL 7182/2017, que acrescenta mais um inciso aos 13 itens do artigo 7 do Marco Civil, que consiste em: “vedar a implementação de franquia limitada de consumo nos planos de internet banda larga fixa”.
Na prática, a alteração torna proibido aos provedores qualquer limitação no consumo de tráfego de internet via banda larga fixa e obriga estes a garantir sempre a mesma velocidade de internet, de acordo com a velocidade contratada, independente do consumo gerado dentro de um período. O contrário do que acontece atualmente na telefonia móvel.
Essa alteração gerada pelo PL 7182/2017 não se aplica a Lei Geral de Telecomunicações, mas sim ao Marco Civil da Internet, que possui apenas três anos de existência (Lei 12.965/2014). O Marco Civil tem como propósito “regular o uso da Internet no Brasil por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres para quem usa a rede, bem como da determinação de diretrizes para a atuação do Estado”.
Essa mudança pode ser uma das mais relevantes no mercado de telecomunicações desde que o modelo atual foi implementado, há quase 20 anos. Transformação digital no Telecom:Conheça com a Sonda IT as maiores tendências Patrocinado 
O que torna essa alteração na legislação tão significativa é que, do lado da oferta de serviços de conexão à internet, passa a ser possível apenas uma forma de comercialização de banda larga fixa: através da diferenciação na velocidade da conexão. Já que o próprio Marco Civil limitou a diferenciação por qualidade do serviço, estabelecendo princípios de neutralidade da rede.
O grande problema é que essa restrição tem aplicação geral, pois não especifica o porte dos provedores que deverão seguir as regras e tão pouco as tecnologias utilizadas para fornecimento do serviço. 
Portanto, a restrição de franquia de internet afetará todos da mesma forma, desde o fornecedor de internet em praça pública, passando por pequenos e médios provedores regionais até grandes fornecedores de internet por fibra óptica em grandes centros. Da mesma forma, afeta todas as tecnologias utilizadas, banda larga via satélite, provedores de acesso por rádio, fibra óptica, empresas de TV por assinatura e outros meios que existem e possam vir a surgir para conexão à internet.
A medida também não prevê qualquer análise ou revisão no futuro. Como sabemos, a tecnologia e a internet está em constante evolução, não é possível saber hoje como os serviços serão oferecidos nos próximos anos, tão pouco dimensionar a qualidade de rede ou a infraestrutura necessária no futuro.
Essa situação cria grandes possibilidade de problemas futuros ao mercado de internet, já que a restrição se aplica de forma genérica e ampla à todos provedores de internet e formas de conexão. Erros como esse são decorrentes da falta de análise e debate dos atores envolvidos, em situações onde é necessário avaliar os diferentes cenários e variações existentes.
Nesse caso, temos os políticos mais preocupados em atender movimentos populares e usar a situação para benefício próprio do que criar uma solução eficiente para o problema. Temos a Anatel, que como agência reguladora tem a responsabilidade de se posicionar a respeito, onde inicialmente não se colocou contra o modelo de franquia de internet, mas acabou tendo uma postura neutra, “lavando as mãos”, para não ir contra a repercussão negativa na sociedade em relação ao limite de velocidade de internet para banda larga fixa. E temos ainda as empresas de telecomunicação e as entidades que às representam, que falharam ao não apresentar um conjunto de informações, propostas práticas e benefícios para o mercado, a partir do modelo de franquia de internet na banda larga fixa.
A realidade é que o mercado de provedores de internet é muito amplo e diversificado. Existem dezenas de tecnologias, pequenos provedores regionais até grandes fornecedores de internet em nível nacional, variados tipos e diferentes necessidades dos clientes, formas de competição distintas em diferentes mercados, além das inúmeras opções de modelo de negócios que os provedores podem seguir.
Para o desempenho de atividades de telecomunicação, a própria Constituição define que as regras a serem seguidas na oferta de serviços estão estabelecidas na Lei Geral de Telecomunicações, onde consta que na prestação dos serviços prevalece a liberdade (“a liberdade é a regra”), estabelecendo ainda um regulador (Anatel) para fiscalização. O próprio Marco Civil assegura a “liberdade dos modelos de negócios promovidos na internet, desde que não conflitem com os demais princípios estabelecidos nesta Lei” para a atuação empresarial no mercado.
O debate agora se concentra justamente em alterar os princípios de mercado e práticas comerciais previstas em lei, para criar uma limitação legal nas atividades de empresas de infraestrutura, com a alegação de possível ameaça aos direitos do consumidor, no caso de aplicação de franquias. 
Considerando que o modelo de franquia de internet á uma prática comum na telefonia móvel, onde as operadoras oferecem inúmeras opções e formatos de plano e praticam restrições com limite de velocidade de conexão de acordo com o consumo, fica totalmente incoerente não permitir a aplicação de franquia na telefonia fixa de banda larga, tanto legalmente como pelo posicionamento dos órgãos reguladores e entidades envolvidas.
Ao analisar esse tema, um ponto a ser considerado é o entendimento de que, com maior liberdade no mercado de telecomunicações, podemos ter uma competição saudável entre os provedores e mais alternativas na oferta de serviços, com mais opções de planos de internet, maior variedade de serviços e, principalmente, melhor qualidade na prestação de serviços de conexão de internet.
Considerando que acesso à internet de qualidade ainda é um problema crítico no Brasil, tanto no mercado corporativo como para residências, caberia ao Governo buscar formas de incentivar o desenvolvimento de melhorias ao mercado de telecomunicações, oferecendo melhor infraestrutura e subsídios para investimento por parte dos provedores. No Brasil apenas metade das residências possuem internet fixa banda larga e apenas 4% das conexões são por fibra óptica.
Outro ponto que vale a pena ser abordado, é que no Brasil, de modo geral, serviços de provedores de internet são vistos como empresas ruins e criticadas pelo senso comum da sociedade. Claro que boa parte das empresas pecam em oferecer um serviço de qualidade e atendimento satisfatório, mas parte dessa imagem ruim também deve ser atribuída a infraestrutura precária em grande parte do Brasil, a burocracia sem fim para implantação de novas infraestruturas, a carga tributária altíssima ante a necessidade de investimento e o retorno gerado, a grande quantidade de regras e limitações na prestação dos serviços e todos outros complicadores existentes no desenvolvimento de negócios em nosso país.
Concluindo, em toda a análise e debate deve prevalecer dois valores/objetivos principais:
  • o propósito de melhoria nos serviços prestados para os cidadãos;
  • e a garantia de princípio de liberdade e livre comércio para empresas, clientes e o mercado de modo geral.
Considerando que a aplicação de restrições nas práticas de mercado limitam a atuação das empresas e dificultam a oferta de serviços personalizados e até mesmo de melhor qualidade, e que como a internet no Brasil ainda precisa evoluir e não temos incentivos do governo e entidades reguladoras para que isso aconteça, é possível concluir que não permitir a possibilidade de limitação de consumo de internet na banda larga fixa (ao contrário do que ocorre na telefonia móvel) não é o melhor caminho para melhorar o mercado de telecomunicações no Brasil.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Pequenos provedores têm mais fibra óptica do que as grandes operadoras

Luís Osvaldo Grossmann ... 05/07/2017 ... Convergência Digital

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Os pequenos provedores de acesso a internet são a principal força para o crescimento do mercado de telecomunicações em geral. Como reconheceu nesta quarta, 5/7, a Anatel, a maior parte das adições líquidas de novos assinantes vem das empresas menores, que já lideram mesmo em investimentos em fibras ópticas. 
“A fibra óptica nos provedores regionais já tem mais do que o dobro da participação quando comparada com a última milha. Os pequenos têm mais de 16% da sua infraestrutura em fibra, enquanto nos grandes ela não passa de 7%”, destacou o conselheiro Aníbal Diniz, ao abrir seminário voltado especialmente ao segmento, promovido pela agência. 
Como listou o conselheiro, os maiores investimentos, em termos proporcionais, vêm dos provedores regionais, que ocupam fatia cada vez maior no mercado de provimento de acesso. “Eles tinham 10% do mercado em 2010, hoje são 15%. Estamos falando de 6 mil provedores atendendo a mais de 4 milhões de pessoas, um crescimento expressivo dos 2,5 milhões de três anos atrás”, afirmou. 
O ritmo vem aumentando. Como apontou o representante da Anatel, em 2016 as empresas menores de conexão adicionaram 500 mil novos acessos, mais de 45% do total das adições. Em 2017, segundo números do primeiro trimestre, 80% dos novos acessos se deram através de provedores regionais. 
“De cada cinco novas residências, quatro estão sendo atendidas por provedores regionais. E 73% desses operadores atendem até 1 mil assinantes, sinal de que a multiplicação dos pequenos faz diferença no setor. Em estados do Nordeste e do Sul, a participação é significativa. Em 30% dos municípios do Nordeste os pequenos são os principais fornecedores de internet de alta velocidade, sendo que 80% dos provedores regionais estão em municípios com menos de 30 mil habitantes. No geral dos municípios desse porte, a participação dos pequenos é 38% em média”, afirmou Diniz.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Como o Google pretende eliminar, de vez, o seu telefone

Por Mike Elgan
Em 03/07/2017 no site IDGNow

O Google está trabalhando duro para tornar os telefones obsoletos. Mas a empresa não admitiria isso. E eles não querem que eu diga isso. Eles ainda têm que fazer certo com as operadoras de telefonia móvel que dão suporte e vendem aparelhos Android.
Ao se livrar do telefone como o conhecemos, o Google está no lado direito da história e também do lado da sua empresa. Isso por que o mundo do pós-telefone é um mundo com comunicação de voz de melhor qualidade, melhores serviços de segurança e telefonia que funcionam melhor do que os aplicativos de comunicação de hoje.
Mas o que é um smartphone, afinal?
Todo mundo está falando sobre o 10º aniversário do iPhone, lançado no dia 29 de junho de 2007. E essa parece ser uma boa data, assim como qualquer outra, para dissecar o que um smartphone realmente é.

Quando Steve Jobs apresentou o iPhone no palco, ele disse que se tratava de três produtos revolucionários: um iPod, um telefone celular e um dispositivo de comunicação de internet.
A descrição do iPhone por Jobs é compreensível apenas se você lembrar que no momento a Apple não havia ainda mencionado a chegada da App Store. 
Agora vemos smartphones com clareza. O "iPod" e "o comunicador via internet" que Jobs  descreveu são apenas aplicativos. Atualmente, há milhares deles na App Store que reproduzem música e permitem comunicações pela internet e, bem, que fazem todos os tipos de coisas.
Um smartphone, então, não se resume a essas três coisas. Ele é, na verdade, duas: um "telefone" e um "computador". A parte "telefone" usa as redes de voz das operadoras de dispositivos móveis para lidar com chamadas e mensagens de texto. A parte "computador" possui um sistema operacional, aplicativos e a capacidade de se conectar à internet através de uma rede de dados de banda larga móvel ou via Wi-Fi.
Assim como a parte "computador" dos smartphones consumiu a câmera digital, o reprodutor de mídia, o rádio, o leitor de ebooks, a calculadora, o gravador de voz, o scanner, o GPS, a bússola, a lanterna, os videogames, o despertador, o temporizador, a agenda e as dezenas de outras coisas, ele também devorará a parte "telefone" do seu aparelho de bolso.
A supremacia da faceta "computador" sobre a parte "telefone" é mais facilmente vista no mundo dos aplicativos de mensagens, que são, na maioria dos aspectos, muito melhores do que a tradicional função para mensagens de texto. E, em qualquer caso, as mensagens SMS e MMS agora viajam facilmente por Wi-Fi e não precisam mais da rede de voz.
A única justificativa restante para a continuidade da parte telefone de um smartphone é que a rede de voz, geralmente, é mais confiável e de maior qualidade do que as opções baseadas na internet.
Mas é apenas uma questão de tempo antes que as chamadas baseadas na Internet sejam melhores do que as de rede de voz. E o Google está tentando acelerar esse processo.
O Project Fi é a entrada do Google para o mundo pós-telefone
O Google anunciou na última semana a compatibilidade do G Suite com o Project Fi, sua rede wireless lançada nos EUA por meio de uma parceria com as operadoras locais.
 
Embora ótimo para pequenas empresas ou pequenos departamentos, o serviço não está pronto ainda para corporações. O plano é limitado a seis usuários. Mas isso indica um provável apoio futuro em escala empresarial para o Fi no G Suite. Mais sobre isso abaixo.
 
O Project Fi é o operador de rede virtual móvel (MVNO) do Google. Ele representa uma ideia revolucionária: telefones que alternam automaticamente chamadas de voz e conexões de dados entre diferentes operadoras, e entre redes de voz e VoIP em Wi-Fi. Ele faz isso usando uma estrutura de antena construída especificamente e um cartão SIM personalizado, além de software especial. Esse hardware especial é o motivo pelo qual você pode usar o Google Fi apenas nos telefones Nexus 6, Nexus 5X, Nexus 6P, Pixel e Pixel XL, embora essa programação esteja prestes a mudar.
 
A conta do Project Fi no Twitter prometeu um "novo dispositivo compatível com o Fi a um preço intermediário de um dos nossos parceiros no final deste ano". O Google não vende mais o Nexus 6 e pretende eliminar o suporte para o Nexus 6P e 5X no próximo ano.
 
Quando o Google Fi foi lançado há dois anos, ele ganhou uma reputação por oferecer preços flexíveis e baixos (US$ 10 por GB) e roaming internacional fácil e barato (via operadora T-Mobile nos Estados Unidos). 
 
O Fi permitiu aos usuários "pausar" e "retomar" o serviço e o pagamento. Os usuários gostam do poder e flexibilidade de suas várias operadoras e um suporte Wi-Fi transparente. Como bônus, as chamadas Wi-Fi são encaminhadas automaticamente através de uma rede virtual privada (VPN) segura.
 
No entanto, desde então o mundo mudou. Hoje em dia, todas as operadoras oferecem planos ilimitados e de baixo custo, de modo que os consumidores estão "prejudicando" o Project Fi.
 
O lançamento do Project Fi pelo Google levantou a pergunta óbvia: por que o Google gostaria de ser uma operadora? Afinal, o Google é essencialmente uma companhia de internet, não um sistema do telefone.
 
A resposta é clara: a missão da gigante de tecnologia é transmitir a comunicação para um mundo pós-telefone.
 
O Google oferece um cartão SIM Project Fi gratuitamente, desde que você seja um cliente Fi. Isso significa que você pode encomendar mais cartões SIM (até nove cartões grátis) e colocá-los em seu laptop, iPad, iPhone ou qualquer dispositivo e usá-lo apenas para dados, com o custo cobrado na conta principal. Esses dispositivos integram, por definição, o mundo pós-telefone, porque com os dados gratuitos do Fi, eles só podem fazer chamadas e enviar textos pela Internet; Não há acesso ao sistema de telefone celular.
 
O projeto SIM adicional permite que o Google veja como os clientes usam telefones e tablets sem acesso a uma rede de voz móvel.
 
Parte da missão do Google é a transição de telefones celulares, saindo do SMS e MMS, para entregar Rich Communication Services, ou RCS. (O chefe de comunicações do Google, Nick Fox, disse no mês passado que o Google está trabalhando para levar o RCS ao Projeto Fi.)
 
A segunda parte é aquela que dará assistência a esse mundo pós-telefone, começando pelo Voice over Long-Term Evolution (VoLTE).
 
Essas transições podem ser inevitáveis, mesmo sem o envolvimento do Google. Mas elas também podem não ser.
 
Tudo sobre a telefonia é complicado. O Project Fi permite que o Google tente testar e experimentar, facilitando os usuários do Fi com delicadeza e devagar através da transição de toque e retorno para um mundo que não usa as redes de voz móveis.
 
E o maior evento na transição pós-telefone é o VoLTE.
  
Em janeiro, alguns usuários do Project Fi perceberam que suas chamadas estavam sendo tratadas pelo VoLTE. Então, em fevereiro, o Google anunciou silenciosamente que tinha começado a testar o VoLTE "com um subconjunto de usuários do Project Fi".
 
O VoLTE é uma abordagem altamente otimizada e de melhor desempenho do que o VoIP é em relação ao LTE. E, para esse assunto, oferece chamadas de melhor qualidade do que as chamadas de rede de voz de hoje.
 
Outra enorme vantagem é que o VoLTE permite transmissão de vídeo, transferência de arquivos e outros recursos diretamente do discador nativo de um telefone. O VoLTE também é a solução para a divisão atual entre as operadoras dos EUA entre as redes CDMA e GSM.
 
Com o Project Fi, o Google pode ajustar e experimentar para descobrir a melhor maneira de obter gradualmente mais usuários fazendo e recebendo chamadas via Wi-Fi e VoLTE e menos através das redes de voz sem fio.
 
 O Futuro de Fi é a telefonia IP para empresas
 Dentro de dois anos, acredito que o Project Fi estará disponível para empresas de todos os tamanhos, incluindo empresas, como parte essencial do G Suite.
 
Ele dará aos clientes uma alternativa de telefonia, incluindo chamadas VoLTE de alta qualidade provisionadas por várias operadoras; chamadas baseadas em Wi-Fi - e a capacidade de alternar entre eles; E RCS, planos de dados ilimitados, roaming global e muito mais.
 
Eventualmente, aos telefones Project Fi faltará apenas uma coisa - a capacidade de se conectar a uma rede de voz móvel.
 
Os smartphones não serão "telefones" e "computadores". Eles serão apenas "computadores". E toda a comunicação entre eles viajará pela internet.
 
As implicações são vastas: melhor qualidade, segurança e programabilidade para todas as comunicações empresariais.
 
Sim, o Google está aí para eliminar o seu telefone - e substituí-lo por algo muito melhor.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Terahertz deixa satélites tão rápidos quanto fibras ópticas

Terahertz deixa satélites tão rápidos quanto fibras ópticas
"Normalmente nós falamos sobre taxas de dados sem fio em megabits por segundo ou gigabits por segundo. Mas agora estamos nos aproximando dos terabits por segundo."[Imagem: Fujishima et al. (Hiroshima University)]
Dados em terahertz
Fibras ópticas são excepcionais, permitindo a transmissão de dados em alta velocidade e com níveis de perda de dados mínimos.
Satélites artificiais também são inigualáveis, cobrindo vastas áreas sem exigir obras de infraestrutura, o que compensa uma velocidade menor e alguns momentos fora do ar por problemas atmosféricos.
Mas que tal juntar os dois, e ter os satélites artificiais transmitindo a velocidades similares às obtidas com fibras ópticas, mais do que compensando todos os momentos de perda de comunicação?
Esta possibilidade acaba de ser demonstrada por uma colaboração que reuniu engenheiros da Universidade de Hiroshima e da empresa Panasonic, ambas no Japão.
Transmissor THz
A equipe construiu um transmissor de dados que opera na faixa da radiação terahertz (THz) que alcançou uma taxa de transmissão de dados de 10 gigabits (0,1 terabit) usando um único canal da banda de 300 GHz. Esta banda - de 290 GHz a 315 GHz - ainda não é usada por nenhuma tecnologia, e só deverá começar a ser avaliada a partir de 2019 pela União Internacional de Telecomunicações (ITU).
Para efeito de comparação, a tecnologia THz - também conhecida como raios T - alcançou uma velocidade de dados 10 vezes mais rápida do que aquela que se espera das redes celulares de quinta geração (5G), que só deverão entrar em operação por volta de 2020.
Aplicações em tempo real
"Normalmente nós falamos sobre taxas de dados sem fio em megabits por segundo ou gigabits por segundo. Mas agora estamos nos aproximando dos terabits por segundo usando um único canal de comunicação simples. Isso poderia, por sua vez, aumentar significativamente as velocidades de conexão aérea, por exemplo.
"Outras aplicações possíveis incluem o download rápido de servidores de conteúdo para dispositivos móveis e ligações sem fio ultrarrápidas entre estações base.
"Outra possibilidade, completamente nova, oferecida pelo wireless terahertz é a alta taxa de dados com latência mínima. As fibras ópticas são feitas de vidro e a velocidade da luz diminui nas fibras. Isso as torna inadequadas para aplicações que exigem respostas em tempo real. Hoje, você precisa fazer uma escolha entre 'alta taxa de dados' (fibra óptica) e 'latência mínima' (links de micro-ondas). Você não pode ter os dois.
"Mas, com a terahertz sem fios, poderíamos ter links a velocidade da luz com latência mínima, suportando as taxas de dados das fibras ópticas," disse o professor Minoru Fujishima, coordenador da equipe.

Bibliografia:

A 300GHz 40nm CMOS Transmitter with 32-QAM 17.5Gb/s/ch Capability over 6 Channels
K. KatayamaK. Takano, S. Amakawa, S. Hara, A. Kasamatsu, K. Mizuno, K. Takahashi, T. Yoshida, M. Fujishima
International Solid-State Circuits Conference (ISSCC)