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terça-feira, 27 de junho de 2017

Novo vírus se espalha pelo mundo e pode já ter chegado ao Brasil

Por Gustavo Sumares
Em 27/06/2017 no site Olhar Digital

Última atualização 13:23
Depois do desastre causado no mês passado pelo ransomware WannaCry, uma nova ameaça chamada "Petya" surge hoje. De acordo com o New York Times, bancos e empresas europeias, tanto públicas quanto privadas, estão sendo afetados por um ataque de ransomware que cobra do usuário US$ 300 em bitcoin para liberar suas máquinas. O Brasil também pode ter sido atacado, conforme apurou o Olhar Digital.
Por enquanto, o país mais afetado é a Ucrânia. Por lá, diversos bancos e empresas - incluindo o banco central e a empresa estatal de energia - foram atingidos por um "vírus desconhecido". Como resultado, os bancos "estão tendo dificuldades com serviços de clientes e para desenvolver suas operações bancárias", disse o banco central numa declaração.
A estatal de energia, Ukrenergo, também afirmou ter sido afetada. No entanto, segundo uma declaração enviada pela empresa à Reuters, o ataque não teria impactado a distribuição de energia no país. Outra empresa afetada por lá foi o metrô, que comunicou sua infecção por meio do Twitter, como pode ser visto abaixo:
Brasil
O Olhar Digital apurou que o Hospital do Câncer de Barretos, no interior de São Paulo, teve parte de seus sistemas desligados nesta terça por conta de um ataque hacker. A assessoria do hospital confirmou o caso, e de acordo com imagens enviadas por leitores, tudo indica que se trata do mesmo ransomware.
Disseminação
Fora da Ucrânia, a empresa dinamarquesa de logística Maersk também foi afetada. Ela comunicou o problema por meio do Twitter, indicando que seus sistemas de TI "caíram em múltiplos locais e unidades de negócios", conforme pode se ver abaixo:
We can confirm that Maersk IT systems are down across multiple sites and business units. We are currently assessing the situation.
O vírus também já chegou aos Estados Unidos, onde afetou os escritórios da empresa de direito DLA Piper. No Reino Unido, a maior empresa de propaganda do mundo, a WPP (proprietária de empresas como Ogilvy e Burston-Marsteller) também foi afetada. Em declaração à Reuters, a WPP afirmou que seus sistemas de TI "foram afetados pelo que suspeita-se ser um ciberataque", e que "está avaliando a situação e tomando as medidas apropriadas".
No Brasil, o Hospital de Câncer de Barretos emitiu um comunicado em seu Facebook alegando que "seu sistema foi afetado por uma invasão envolvendo hackers" na manhã de hoje. O ataque causou a interrupção de alguns dos atendimentos do Hospital. O Hospital São Jorge de Barretos, segundo um leitor, também teria sido afetado. O relato do hospital se assemelha ao de outras empresas afetadas, mas ainda há confirmação de que se trata exatamente do mesmo ataque.
Outra empresa que disse ter sido afetada foi a russa Rosnoft, uma espécie de "Petrobras da Rússia". Ela comunicou que o vírus havia atingido seus servidores, mas ainda não estava claro quanto dano ele havia causado. O tweet da Rosnoft pode ser lido abaixo:
На серверы Компании осуществлена мощная хакерская атака. Мы надеемся, что это никак не связано с текущими судебными процедурами.
Conforme noticiado pelo The Verge, usuários isolados na França e no Reino Unido também relataram ter sido infectados. Assim como o WannaCry, o ransomware criptografa os arquivos do HD da vítima e exige um pagamento em bitcoins para descriptografá-los. Segundo dados da cadeia de blocos, a conta associada aos atacantes já recebeu mais de um bitcoin (cerca de R$ 9.000).
Possível diagnóstico
Ainda não se sabe ao certo qual é exatamente o tipo de ransomware responsável por esse ataque. Um pesquisador da Kaspersky Lab identificou-o como o vírus Petrwrap, uma versão do ransmoware Petya que foi identificada pela primeira vez em março. Segundo a Avira, o Petrwrap está explorando a mesma vulnerabilidade de SMB do Windows que o WannaCry explorava para se espalhar. Os tweets de pesquisadores das duas empresas podem ser vistos abaixo:
The fast-spreading Petrwrap/Petya ransomware sample we have was compiled on June 18, 2017 according to its PE timestamp.
Tanto o The Verge quanto o New York Times especulam que a origem do ataque possa ser a própria Rússia. O Times ressalta que os dois países seguem em conflito na região da Crimeia desde 2014, e que o país já foi vítima de um ciberataque russo que deixou parte do seu território sem energia por mais de seis horas.
No entanto, o governo da Ucrânia não parece estar desesperado com a situação. Recentemente, a conta oficial do país no Twitter recomendou que seus cidadãos não entrassem em pânico, tuitando o meme abaixo:

Some of our gov agencies, private firms were hit by a virus. No need to panic, we’re putting utmost efforts to tackle the issue 👌

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Inteligência artificial do Google ajuda você a desenhar como um profissional

Por Gustavo Sumares 
Em 12/04/2017 no site Olhar Digital

Você já passou por uma situação na qual precisava muito desenhar algo no computador, mas não conseguiu? Se sim, ficará feliz de saber que agora o Google tem uma ferramenta de inteligência artificial voltada especialmente para esse tipo de necessidade. A empresa anunciou ontem o AutoDraw, um recurso que ajuda os usuários a se comunicar visualmente.
O sistema funciona de maneira bem simples: você começa a desenhar nele como se estivesse desenhando no Paint e, ao mesmo tempo, a inteligência artificial do Google vai tentando adivinhar o que você quer desenhar. Com isso, ela vai sugerindo uma série de desenhos mais elaborados na parte de cima da tela; quando você clica em um deles, seu desenho é substituído pela versão mais complexa, como pode ser visto abaixo:
Fora isso, a ferramenta ainda tem algumas outras opções de edição do desenho, como um pincel tradicional (que não fica tentando adivinhar o que você está desenhando). O AutoDraw parece ser uma evolução do "Quick, Draw!", um experimento de inteligência artificial com o qual o Google deixou os usuários brincarem em novembro do ano passado.
Como funciona
De fato, segundo o site oficial do projeto, a tecnologia usada nas duas soluções é a mesma. Uma rede neural treinada com uma série de desenhos vai vendo você desenhar e comparando sua criação com a de outros usuários. Quando você escolhe substituir o seu desenho por uma das sugestões, ela se lembra da sua escolha.
Assim, quando outro usuário fizer um desenho parecido com o seu, ela se lembrará: "Outro dia um cara fez um desenho parecido e trocou por uma pizza, então vou sugerir uma pizza para esse cara também". Esse exemplo pode ser meio bobo, mas como a ferramenta do Google é capaz de fazer isso milhões de vezes por dia, ela se torna bastante inteligente. O vídeo abaixo fala mais sobre a criação:

Segundo o Google, a ideia do AutoDraw é democratizar ferramentas de desenho e criação - e, realmente, a solução é grátis. Por outro lado, é fácil perceber que o uso contínuo da ferramenta por parte dos usuários ajuda a treinar as redes neurais do Google, então a empresa ganha com isso também.
Para artistas
Todas as imagens que a rede neural sugere aos usuários foram criadas por artistas parceiros do Google. Algumas delas podem ser vistas por meio deste link. No entanto, qualquer pessoa pode enviar seus desenhos para que o Google os utilize como sugestão no AutoDraw. Isso pode ser feito por meio desta página.