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terça-feira, 21 de julho de 2020

Cibercriminosos brasileiros realizam ataques com foco em bancos de outros países


Foto: Shutterstock

O Brasil é um dos países nos quais os cibercrimonosos são conhecidos por serem criativos e eficientes quando se fala em ameaças financeiras, desenvolvendo malwares que utilizam de engenharia social para roubar credenciais financeiros de pessoas. E essas ameaças, que sempre foram mais locais, agora estão sendo levadas para outros países. 

De acordo com pesquisadores da Kaspersky, quatro famílias de trojans bancários - nomeados de Guildma, Javali, Melcoz Grandoreiro - atuam na Europa e América Latina, mas também mostram interesse em fazer vítimas na América do Norte e China. Esta tendência foi nomeada como Tetrade e o conjunto de trojans traz as últimas inovações em malware bancários em técnicas de evasão e ocultamento. 

Essa internacionalização já existiu no início de 2011, quando alguns grupos começaram a fazer experiências ao exportar trojans com códigos simples e taxa de sucesso limitada, ações essas que não foram continuadas. Porém, a Kaspersky assinala que o Tetrade se caracteriza por inovações que permitiram a expansão mundo afora e consolidaram o País como exportador de malware 

"Os criminosos brasileiros, como os que estão por trás dessas quatro famílias de malware bancário, estão recrutando ativamente afiliados em outros países para exportar suas ameaças para o mundo inteiro”, comenta Dmitry Bestuzhev, chefe da Equipe GReAT na América Latina.

Ações internacionais 

Das quatro ameaças citadas, a Kaspersky destaca a Guildma, que está ativa desde pelo menos 2015 e se espalha principalmente por e-mails de phishing disfarçados como notificações ou comunicados legítimos de empresas.

A partir de 2019, ele começou a armazenar seus módulos no disco usando um formato de arquivo especial, dificultando a identificação destes arquivos no computador da vítima.  

Além disso, ele salva a comunicação com o servidor de controle de forma criptografada em páginas do Facebook e do YouTube, tornando sua classificação como malicioso mais complicada por se tratar de sites muito populares. Isso permite que o servidor de controle possa ser utilizado pelo malware por muito mais tempo. 

Já o trojan bancário nomeado como Javali está ativo desde 2017 e foi identificado ataques contra clientes no México. Da mesma forma que o Guildma, ele também se dissemina por e-mails de phishing e começou a usar o YouTube para hospedar sua comunicação C2. A terceira família, Melcoz, está ativa desde pelo menos 2018 e se espalhou em países como México e Espanha. 

Finalmente e igualmente importante, o Grandoreiro começou a mirar usuários na América Latina antes de se expandir para países da Europa. Está ativo desde pelo menos 2016 e segue um modelo de negócios de malware como serviço, em que cibercriminosos locais podem comprar o acesso às ferramentas necessárias para lançar um ataque.  

Para Bestuzhev, da Kaspersky, esses casos tendem a crescer e se diversificarem: “Nossa previsão é de que essas quatro famílias comecem a atacar outros bancos em outros países e que apareçam novas famílias. Por isso, é extremamente importante para as instituições financeiras monitorar essas ameaças de perto e tomar medidas para reforçar seus recursos antifraude". 


terça-feira, 18 de julho de 2017

Ciberataque 'extremo' pode causar prejuízos de até US$ 53 bilhões


Um ciberataque de grandes proporções pode causar perdas financeiras de até US$ 53 bilhões, de acordo com pesquisa recente realizada pela seguradora britânica Lloyd’s e a Cyence, empresa especializada em modelagem analítica de riscos cibernéticos.
O levantamento revela o potencial impacto econômico de dois cenários: um hacking malicioso que derruba um provedor de serviços em nuvem com perdas estimadas em até US$ 53 bilhões, e uma falha em um sistema operacional crítico administrado por empresas em todo o mundo, podendo gerar perdas de US$ 28,7 bilhões. 
As perdas econômicas podem alcançar cifras astronômicas. No cenário de interrupção dos serviços de nuvem considerados no relatório, a média das perdas econômicas varia de US$ 4,6 bilhões, para um evento grande, até US$ 53 bilhões, para um evento de proporções extremas. Essa é a média do cenário, uma vez que devido à incerteza com relação às perdas cibernéticas agregadas, esse valor pode subir para até US$ 121 bilhões, ou cair para US$ 15 bilhões. Enquanto isso, as perdas médias seguradas variam de US$ 620 milhões, para uma perda grande, até US$ 8,1 bilhões, para perda extrema.
No cenário de vulnerabilidade dos softwares de “massa”, as perdas médias variam de US$ 9,7 bilhões, para um grande evento, até US$ 28,7 bilhões, para um evento extremo, como uma falha em um sistema operacional crítico exemplo, administrado por empresas em todo o mundo. As perdas médias seguradas variam de US$ 762 milhões até US$ 2,1 bilhões.
Já o gap sem cobertura dos serviços de nuvem pode chegar a US$ 45 bilhões — ou seja, menos de um quinto (17%) das perdas econômicas realmente possuem cobertura. A defasagem segurada por um valor inferior pode chegar a US$ 26 bilhões para o cenário de vulnerabilidade em massa — o que significa que apenas 7% das perdas econômicas estão cobertas.
Os resultados também revelam que, apesar da demanda por seguros contra riscos cibernéticos seguir em crescimento, a maioria dessas perdas não está segurada, o que deixa um déficit de bilhões de dólares em seguros.
Inga Beale, CEO do Lloyd’s, diz que o relatório dá uma noção real do tamanho do estrago que um ataque cibernético pode causar à economia global. “Assim como alguns dos piores desastres naturais, esses eventos podem causar um impacto grave em empresas e economias, desencadeando inúmeras solicitações de acionamento do seguro e aumentando drasticamente os custos do serviço. As seguradoras precisam considerar essa forma de cobertura contra riscos cibernéticos e assegurar que os cálculos dos prêmios estejam em sintonia com a realidade da ameaça no ambiente digital”, destaca ela.
Segundo a executiva, esses cenários foram incluídos para ajudar as seguradoras a obterem um melhor entendimento sobre a sua exposição ao risco cibernético, para que possam melhorar a gestão da exposição de seu portfólio e a precificação do risco, estabelecer limites adequados e expandir seus serviços, com confiança, para essa que é uma classe inovadora e de rápido crescimento.
"As conclusões desse relatório sugerem que perdas econômicas relacionadas a ataques cibernéticos podem ser, potencialmente, tão grandes quanto aquelas causadas por grandes furacões. As seguradoras podem beneficiar-se ao pensar sobre cobertura para ataques cibernéticos nesses termos, e adquirir subsídios específicos para considerar catástrofes cibernéticas Para isso, a coleta e a qualidade dos dados são muito importantes, principalmente quando o risco cibernético está em constante mudança”, disse Trevor Maynard, responsável pela área de inovação da Lloyd’s.
A Lloyd’s trabalhou com a Cyence, coletando dados em nível de internet para fazer a modelagem do risco cibernético e avaliar o impacto financeiro, econômico e no setor de seguros desses cenários.
O alto preço dos crimes cibernéticos
As consequências econômicas e aquelas relacionadas ao seguro para crimes cibernéticos aumentaram significativamente nos últimos anos. Em 2016, estimou-se que os custos dos ciberataques para as empresas era de até US$ 450 bilhões por ano (Graham, 2017). Hoje, a equipe da Lloyd’s Class of Business estima que o mercado cibernético  global vale algo entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões (Stanley, 2017). Até 2020, alguns analistas estimam que esse valor pode chegar a US$ 7,5 bilhões (PwC, 2015).
O relatório descreve dois cenários:
Cenário 1: “Hack malicioso” de um provedor de serviços de nuvem. Um grupo sofisticado de "hackers" prepara-se para interromper provedores de serviços de nuvem e seus clientes, para chamar atenção para os impactos ambientais do negócio e da economia moderna. O grupo faz uma modificação maliciosa num "hipervisor", que controla a infraestrutura da nuvem. Isso provoca falha em muitos servidores de clientes com base em nuvens, levando a uma interrupção generalizada do negócio e dos serviços;
Cenário 2: Ataque de vulnerabilidade em massa. Um analista virtual esquece a bolsa acidentalmente no trem, com a cópia de um relatório sobre vulnerabilidade, que afeta todas as versões de um sistema operacional executado por 45% do mercado global. Esse relatório é negociado no mercado negro virtual e comprado por um número indeterminado de criminosos virtuais, que desenvolvem exploits de sistemas e começam a atacar empresas vulneráveis para obter ganho financeiro.
Estes números representam os valores médios de um ano de perdas para eventos graves simulados, de proporções grandes e extremas, e consideram todas as expectativas de despesas diretas relacionadas com os eventos. Impactos como danos materiais, lesões corporais, assim como perdas indiretas - como a perda de clientes e o dano à reputação - não são considerados.
Perdas econômicas podem ser muito maiores ou menores que a média indicada nos cenários, devido à incerteza com relação à concentração de riscos cibernéticos.
O desafio da personalização e capitalização do risco cibernético é a falta de dados de fontes de informação oficial. Informações de anos anteriores sobre seguros acionados e dados de sinistros normalmente não são confiáveis, devido à natureza volátil e variável do risco. E, ao contrário de perigos físicos, o risco cibernético possui concentração de acúmulos, com o uso crescente de redes e tecnologia.