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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O fim da neutralidade da rede e os seus impactos mundiais

Breno Pauli Medeiros em  23/11/2017 no site CEIRI Newspaper


“Neutralidade da rede” é o termo utilizado para se referir às práticas de regulamentação da Internet que garantem que todos os usuários, provedores e serviços possuam as mesmas ofertas de velocidade, abertura e banda larga. As medidas proíbem o bloqueio de conteúdos ou o fornecimento de serviços a preços diferenciados para parcelas distintas de clientes. A neutralidade da rede foi largamente defendida por empresas como Google, Apple e Reddit; organizações como a União de Liberdades Civis Americana (ACLU, na sigla em inglês), jornalistas e personalidades, dentre elas, Barack Obama.
Selo da FCC
A neutralidade da rede é garantida pela Comissão de Comunicações Federais (FCC, na sigla em inglês), órgão que responde diretamente ao Congresso norte-americano e atua cobrando das Provedoras de Serviço de Internet (PSIs) que as mesmas garantam uma Internet igualitária para todos usuários, sejam eles grandes empresas ou indivíduos.
As PSIs são as empresas que oferecem a infraestrutura de rede e ofertam as conexões ao redor do mundo. Porém, apesar de serem dos EUA, elas possuem um alcance global, já que suas ações afetam desde empresas multinacionais até indivíduos pelo mundo inteiro. No entanto, ainda que tenha esta atuação global, elas estão sujeitas às leis do seu país de origem, na sua grande maioria os Estados Unidos. Além disso, muitas PSIs de outros países são propriedades das grandes PSIs norte-americanas.
As regras da neutralidade da rede são amplamente criticadas por alguns membros do Congresso estadunidense, tanto do Partido Republicano quanto do Democrata, por PSIs e pelo atual presidente da FCC, Ajit Pai, o qual anunciou planos para repelir as medidas de neutralidade da rede.
Os argumentos contrários ao fim da neutralidade da rede apontam para o favorecimento de corporações com maior poder econômico que poderão pagar por serviços mais rápidos e em “vias expressas” de velocidade diferenciada, em detrimento de outras empresas que estão iniciando suas atividades e não possuem os meios para contratar serviços diferenciados. Um outro argumento é de que alguns conteúdos, por exemplo, propagandas, serão priorizados em detrimento de outros.
Apesar do protesto de milhares de americanos, a proposta de Pai está prevista para ser votada pelo congresso dos EUA em 14 de dezembro de 2017. A Internet Association, grupo que é composto pelos maiores fornecedores de serviço e empresas de Internet, dentre elas, Facebook, Netflix, Amazon, Google, entre outros, declarou que a proposta de Pai “Representa o fim da neutralidade da rede como a conhecemos e desafia a vontade de milhões de americanos. (…). Esta proposta desfaz quase duas décadas de acordo bipartidário sobre os princípios basais de neutralidade da rede que protegem a capacidade dos americanos de acessar toda a internet”.
Vale ressaltar, no entanto, que, como as PSIs norte-americanas são o topo de uma larga cadeia de empresas e provedoras de serviços com alcance global, uma medida decidida no Congresso dos EUA terá impacto no espaço cibernético que permeia diversos países. 
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Fontes das Imagens:
Imagem 1 “Presidente da FCC, Ajit Pai” (Fonte Original: By U.S. Federal Communications Commission –https://transition.fcc.gov/commissioners/photos/ppavp.jpg, Public Domain):
Imagem 2 “Selo da FCC” (Fonte Original: By U.S. Government):

domingo, 9 de abril de 2017

Criação do Ciber-Exército Alemão

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior
Em 07/04/2017 no ciste Ceiri


No dia 1º de abril, a Ministra de Defesa alemã, Ursula von der Leyen,criou o Exército Cibernético alemão, como uma nova ramificação das forças militares do país, conhecidas como Bundeswehr, em paralelo com o Exército, a Marinha, a Força Aérea, o Serviço Médico Conjunto e o Serviço de Apoio Conjunto. O Exército será chamado “Comando de Ciberespaço e Informação” (KdoCIR), e será liderado pelo general Ludwig Leinhos.
O KdoCIR terá a responsabilidade de defender a Alemanha contra os diversos ciberataques que as Forças Armadas vêm sofrendo. A necessidade do Exército Cibernético provém da intensidade e frequência com a qual as Forças alemãs vêm sendo atacadas. Segundo o jornal Deutsche Welle, já foram mais de 284 mil ataques de fontes online, só nas primeiras seis semanas do ano. O que torna as Forças Armadas um alvo tão desejado são, além dos seus segredos militares, as armas controladas por tecnologia da informação e sistemas computadorizados.
Como não é uma subdivisão de uma Força específica, e sim uma outra que atua em paralelo com as demais, o Comando de Ciberespaço e Informação terá sua própria estrutura organizacional, e irá centralizar cerca de 13.500 militares e civis que trabalham com defesa cibernética na Alemanha. Além disso, a Bundesweh vem buscando contratar especialistas em TI e tenta criar a imagem de ser um empregador de tecnologia da informação moderno e atrativo.
O esforço alemão em militarizar sua presença cibernética condiz com a tendência global que vêm sendo observada, principalmente na virada do século XXI, de encarar o espaço cibernético como um ponto estratégico e como a nova face dos teatros de guerra, em conjunto com céu, terra, mar e espaço.
É uma estratégia similar a adotada por países como os Estados Unidos, com o seu United States Cyber Command (USCYBERCOM); a China, com a Unidade 61398 do Exército de Liberação do Povo (61398部队); a Rússia, que, apesar de não ter um nome oficial para o público, possui um Exército cibernético, como foi confirmado pelo ministro de defesa russo Sergey Shoigu; e o Brasil, com o Centro de Defesa Cibernética, o qual faz parte do Programa Estratégico do Exército de Defesa Cibernética. O motivo oficial para a criação destes Exércitos cibernéticos é defender-se, no entanto, vale ressaltar, ele pode ser utilizado de maneira ofensiva.